4 de dez. de 2008

Lado a lado

Enquanto você caminhava, tudo acontecia.
Você chorou, pensou, sorriu.
Você precisou de espaço.
Depois de companhia.
E eu?....eu estava ali do lado. O tempo todo.
Mesmo quando você não viu.

2 de dez. de 2008

Súbito

Às vezes ele sentia falta.
Ela sempre sentia falta.
Não era mais o mesmo sentimento. Era apenas saudade. Era questão de pele somada às lembranças de um tempo bom.
Ele não estava só.
Ela estava às vezes. Muitas vezes...não muito diferente de quando era com ele.
Eles jamais se esqueciam.
O tempo todo era carinho, respeito, preocupação. Puro e eterno querer bem.
De vez enquando era mais que isso. Muito mais.
Inexplicavelmente súbito. Inexplicavelmente indesviável.
Absurdamente descontrolado e dois minutos depois, irreconhecível.
Eles mudavam. Agiam como se nada nunca tivesse terminado.
Inexplicável.
Não inventaram termos ou denominações de sentimentos concretos que explicassem aquela reação química. Mas desde quando sentimentos são concretos, ou explicáveis?
Nada daquilo era certo. Mas desde quando o caminho certo é sempre o mais gostoso?
Se perdiam no tempo e no espaço. Não existia mais ninguém, além deles.
Eles jamais contariam ou admitiriam.
Um boa noite, um bom dia.
E como se nada tivesse acontecido, tudo volta ao normal.
Fim mais uma vez.

1 de dez. de 2008

Vitória da Morte

Carlos tinha AIDS e morreu ontem. É assim que começa sua história: com um fim.
O fim da vida de Carlos chegou cedo. Ele estava com 31 anos, tinha tido uma das maiores dádivas da sua vida há 1 ano: um filho.

Ele não foi proveniente de um amor arrebatador, muito menos de uma transa espetacular. Ele veio meio sem querer, mas foi bem-vindo. Ao menos veio de um relacionamento sadio. Sadio em partes.

A ex-namorada de Carlos era bacana, gente fina, o namoro era bom. Bom, mas não fez bem. Foi através dessa namorada que Carlos foi infectado com o vírus HIV. Ele só soube disso há uns meses atrás, quando ela morreu de AIDS. Carlos não tinha tido muitas mulheres antes dela. Quando começou a namorar com ela, pensou: “Isso sim é viver!”. Pobre e errado Carlos.

Bem, hoje nada disso importa. Ela está morta, Carlos está morto e o filho deles vivo. E mais do que estar vivo, o que realmente importa é que hoje ele não tem AIDS, mas amanhã não se sabe. O vírus pode estar escondido atrás daquela pele macia e branquinha, daquela mãozinha pequena e cheia de furinhos.

Mais que sentir a dor da perda de seus pais, dói pensar que com um exame o filho de Carlos poderia, um dia, aprender a dizer ‘mamãe’ e ‘papai’.

26 de nov. de 2008

Sobre um circo sem futuro

Tenho um troço no estômago até hoje, só de pensar, de lembrar de você.

Lembro a primeira vez que estivemos juntos, a centímetros de distância. Me senti com 12 anos novamente. Sintonia incomum, porém normal.
E por mais que eu adore minhas lembranças, sou apaixonada pelo viver. É dele que lembro quando penso em você. Você me trouxe uma vida nova. Me abriu uma porta para o inesperado e isso me transformou, me redescobriu.

Você foi como a fase mais difícil daquele jogo de videogame, sabe? Junto de você, vieram coisas que eu nem imaginava que existiam, mas que estiveram sempre ali. E apesar de difícil, você foi a fase mais gostosa de passar. E eu queria poder voltar a fase anterior só pra ter o gostinho de passar de novo por você.

Metáforas à parte, você tirou meu sono, minha tranqüilidade, meu conforto, minha rotina. Graças a você, soube não ter nada disso. E digo: não sinto a menor falta de ter tudo isso o tempo todo.

Isso tudo em 3 meses. Você tem efeitos prolongados sobre mim. E eu não teria como saber isso antes, adivinhar tudo a tempo. Foi pagar pra ver. Ver pra crer.
E não lamento. Só queria poder, eventualmente, comemorar, brindar, agradecer, reviver.

Mais do que impor, a vida sugere atitudes. Para alguém como eu, se abster não é uma opção. Posso perder, mas sei que tive de abrir mão, soltar a corda. Ou seja, tive que agir, mesmo que isso significasse não fazer nada.

Sempre digo que não gosto de esportes. Competir não é meu forte. Não compito mesmo. Não tiro braço de ferro entre meus sentimentos e minhas vontades. Aqui é tudo na base do diálogo, debate. Sou dona das palavras que falo, das atitudes que tomo, dos olhares que distribuo.

Quando me dei pra você e te aceitei a mim, foi consciente. E é uma consciência que confesso: não foi suficiente. Precipitei por você, mas principalmente por mim. Choveu na minha horta logo depois de uma tempestade.

Cobri o circo. A lona era grande e pesada, mas cobri sozinha. E o que me parece agora é que esse circo volta à sua itinerância. Eventualmente passarei onde você está. Se quiser ver, é só entrar. Não cobro pelo ingresso, nem pela satisfação. O meu negócio é o espetáculo. E pra isso, platéia é necessária, a entrada é gratuita e a presença bem-vinda.



* Obrigada ao Cordel do Fogo Encantado pela inspiração do título.
** "Eu" e "você" são personagens nessa história. A ausência de nomes é proposital e desejada.

25 de nov. de 2008

100 saídas

Tenho passagens de volta para os velhos e bons tempos. Mas, se preferir, posso encher o tanque e partimos rumo ao futuro que nos aguarda. Novo, incerto, petulante e melhor.

23 de nov. de 2008

Conto sem fada

Cavalgando no seu leão branco, ele veio. No lugar da espada, o punho aberto. No lugar do escudo, um coração.

15 de nov. de 2008

Ao Trio Nosso, Amém.


Trio nosso que estais presente,
Santificada seja a vossa companhia.
Venha a nós na 'bohemia'.
Seja feita a sua vontade, que é a mesma que a dela e a mesma que minha.
Os momentos nossos de cada dia, nos dai hoje.
Perdoai os nossos excessos
Assim como nós perdoamos as moscas mortas que tentam atrapalhar nossa vida.
E não nos deixeis cair na pista.
Livrai-nos do mal e do tédio.
Amém.

11 de nov. de 2008

E volta o Natal Arrependido...

O que vocês fizeram com o final do ano?
To desde Setembro vendo Feliz Natal pra cá, Feliz Ano Novo pra lá. Estamos em Novembro, mas to sentindo que amanhã vou acordar e já será Sábado de Carnaval.

Logo eu que gostava tanto do Natal... Hoje ele é só uma semana que antecede o Ano Novo. É só um motivo para eu gastar meu pouco dinheiro com muita besteira.

Aliás, não gasto mais. Não me dou o trabalho de pensar em comprar nada pra ninguém. E quase me ofendo ao receber um presente. Não é meu aniversário, que palhaçada é essa? Não to estressada, mas o final do ano já me irrita.

No trabalho é sempre correria. O marketing viu que sobrou verba. Agora tem que gastar. E nego tem que fazer tudo isso antes de sair de férias. Legal, legal.

Minha mãe resolve fazer o almoço de Natal lá em casa. E resolve isso no dia 23 as 23h23. Aí, todas as 20 e muitas pessoas da minha família se empilham nos 20 e alguns metros quadrados da minha sala e eu, no auge dos meus 20 e poucos anos, gasto boas horas ouvindo um monte de coisas, sem entender nada, só querendo não estar ali.

Só queria um Dezembro de final de ano, normal como um Abril qualquer, talvez. Mas todo ano o mundo acaba dia 25 e recomeça no dia 01.

2 de nov. de 2008

Vírus


Palpitação.
Respiração curta.

Calafrios.
Suor nas mãos.
Mal-estar.
Adrenalina alterada.
Raciocínio prejudicado pela fraqueza.
Temperatura interna de 39°C.
(Destes, 36°C concentrados na face ruborizada)
Só querer ficar na cama com a cara enfiada no travesseiro.
Tosse e gagueira provocadas por engasgue.
Dores de barriga.
Vontade de morrer, sumir ou sair correndo para não sentir mais isso tudo.

Sintomas de virose?
Só se meu vírus for você.

24 de out. de 2008

Meu querido Forrest

Conta e não conta. Conta e desconta. Conta num conto. Mas conta do jeito que quiser contar.
É, ele é confuso mesmo. Nem te conto o quanto.
E nessa confusão, a gente vê e, de fato, enxerga alguém. Calma, eu te conto.

Todo-poderoso mestre das palavras (tá, mestre não, mas trainee com certeza).
Fala bem, escreve ainda melhor.
Se contradiz o tempo todo quando deixa sua modéstia prevalecer sua insegurança (confuso isso?).
Se houvesse uma caixa de pandora do avesso, seria dele a chave ou o cadeado.

Exagerei só pra dizer que ele é exagerado. E que ele tem um poder na mão. Eu percebo quando ele solta caracteres desenfreados de um lado e afrouxa minha risada do outro.

Inacreditável.

Conheci ele em uma outra vida aí. Não sei, mas queria ter certeza disso.
Para mim, é uma figura, um cartoon, um holograma (mas um bacana, fofo, bonitinho, tá?).
Sorte que eu adoro desenhos.

Pra resumir: é um presente. Uma surpresa.
Sorte que eu adoro presente. E adoro surpresas.

14 de out. de 2008

R de Raíssa, Raiva, Risada, Roda

Raíssa Maria. Esse era o nome dela e ela o odiava. Tinha ódio da mãe por ter escolhido o nome. E teria ódio do pai, se ele tivesse escolhido o nome dela, pois seria Quitéria. Odiava a avó, pois ela botou o nome de sua mãe de Clotilde.

Ela, na verdade, não gostava de nada. No café da manhã, se tinha torrada reclamava pois queria pão. Se tinha pão, reclamava porque não tinha manteiga.
Não gostava de sol, pois odiava suar. Não gostava de chuva, porque seu cabelo armava mais nos dias úmidos. Gostava de tempos nublados, mormaço. Nem quente, nem frio: morno.

Mas no dia em que Raíssa conheceu o Túlio, sua vida mudou. O Túlio era o cara. O cara mais filha da puta da escola inteira. Ele era capaz de te fazer vomitar de raiva. A Raíssa não tinha ânsia só de olhar para ele, como era com a maioria. Ela nem se abalava com a presença dele. Ele fazia questão de apurrinhar a vida da coitada. Ela fazia questão de não se afetar com a falta de afeto dele. No fundo, ela o odiava, se afetava e tinha ânsia sim. Mas não demonstrava. Fica ali em cima do muro quando o assunto era ele.

Mas a vida dela não mudou assim que ela conheceu o Túlio. Passou quase um ano para ela realmente mudar. O fato do Túlio ser um escroto-mór fez com que Raíssa mudasse. Ela insistia em odiá-lo, mas já não passava um dia sem participar das idiotices dele. Assumiu a premissa de dar um tapa na cabeça dele todos os dias. Se o negócios era ser escroto, que fosse pra valer. O tapa era sempre visto por mais de duas pessoas, pras risadas valerem. Era tudo para aparecer.

O Túlio cansou. Meteu um soco na boca da Raíssa. Ela devolveu. Ele a beijou. Ela cedeu. Ela passou a gostar de sol e de chuva. Era só botar uma regata e prender o cabelo, mesmo. E aos 18 anos, Raíssa virou Maíra.

E o Túlio virou papai. A Raíssa, ou melhor, Maíra, que antes odiava Túlio, depois o amava, agora o odiava de novo. A mãe do filho dele se chamava Raíssa Regina. Roda-mundo. Roda Raíssa.

5 de out. de 2008

Entre caminhos, músicas e você, eu tento brincar de viver.

Eu não sei brincar.
Fui viver minha vida.
No meio do caminho, percebi que tinha errado alguma entrada.
Senti necessidade de te dizer que me perdi de você ao errar alguma rua ali atrás. Eu disse.
Disse desatando nós com palavras. Com o pulsar agitado do meu coração apertado pulsando nos dedos ao digitar. Disse. De forma distante, mas disse.
Depois ouvi. Ouvi com os ouvidos e com os olhos. Com a mente limpa e a consciência tranquila. Ouvi muito próximo. Mais do que eu esperava ouvir.
Ouvi, e gostei do que ouvi.
Disse mais. Disse o que talvez não devesse dizer....se eu ouvisse minha razão. Mas ela é ainda mais rouca que minha própria voz. O coração é um surdo que vibra no bater ritmado por suas mãos. E bate mais alto. Se faz ouvir.
Talvez ele também não saiba brincar.
Mas quando disse, sem dever dizer, eu não ouvi mais nada. Melhor...eu senti. Muito perto.
Tudo podia estar perdido a partir dali.
Mas o coração aprendeu a manter um certo ritmo. Menos descontrolado talvez do que era antes.
Ele aprendeu a bater no seu gingado. E ali naquele fim de noite, pode sorrir .
E meu sorriso também o acompanhou enquanto meus olhos acompanhavam os seus.
O sol nasceu espelhado na sua íris. Eu vi.
O azul claro predominou no céu.
Continuei vivendo minha vida.
Na continuação do meu caminho, cruzei novamente o seu. Mas havia uma pedra inesperada.
Eu não vi, e tropecei.
O coração perdeu o ritmo. Trocou de melodia. Esqueceu do gingado. Bateu com desarmonia.
E música ruim é como praga. Parece que gruda na cabeça.
Parei no meio do caminho e o deixei reger aquela canção. Por algumas horas.
Até ele voltar ao compasso vital. Aquele que não é nem mais, nem menos. Apenas o necessário.
Música ambiente.
Daquele ponto, continuei.
Continuei de novo vivendo minha vida.
Não aprendi a brincar.
Nem meu coração a tocar.
Não sei qual a próxima canção. Nem a próxima curva ou pedra.
Só quero continuar...
Estou vivendo.

3 de out. de 2008

Agora sim: Sexta-Feira Feliz!!

O despertador toca.
No celular, um sms. Alguém que comemora “enfim...hj é Sexta!”!
O sol está lá fora tentando entrar pelas frestas da janela! Abre! Deixa entrar!
Coloca o All Star, hoje é dia de estar a vontade. É dia de ser feliz.
Vai pra rua e tira o casaco...Finalmente, o frio foi embora!
O trânsito está horrível. Que delícia dormir no ônibus e sonhar.
Chegar ao trabalho e perceber que todos estão tão bem humorados quanto você, é algo que acontece uma vez a cada milhões de anos.
Uau! Hoje é Sexta. E ela está sorrindo pra mim.
E o melhor? É que está só começando...

2 de out. de 2008

Eu, o coletivo de mim.

To tensa. Ok, o ar condicionado tá geladão, mas sei que alguns graus desse gelo que desaponta na ponta dos meus dedos é causado pela minha tensão. To tensa mesmo. Sempre que eu to tensa, vem um panapaná* gigante direto no meu estômago.

Ai eu tento respirar fundo, mas parece que o ar, além de pesado, é gordinho e não passa direito pelas minhas narinas. Ai vem uma, duas, dez, noventa mil coisas na minha cabeça e ela nem sempre processa tudo tão rápido. Principalmente quando tem um briefing chegando às 12h00 pra ficar pronto às 17hs.

- Menos, menos, menos.
- Menos é mais? Pô, queria um menos menos, mesmo. Tem como? Se tiver, vê 10, por favor?

Sei não. Parece tudo tão errado. Mas acho que assim é que tá certo.

- Vai nascer! Vai, respira, força, você consegue!
- Não dá, não dá. Não vai dar não, desisto! Espera mais nove, sério. Fica quietinho aí, sua mãe é quem tá mandando!

Não se tem sempre que aguentar a tensão, certo? Podemos simplesmente não reagir, que ela passa? Nunca tentei. Sempre a senti como se ela fosse uma convidada de honra. Indesejada, inesperada, mas de honra. E ai tenho que fazer as honras da casa.

Eu tenho? Tenho nada. Mas faço. É, faço. Já fiz.
E se eu perguntasse para mim o que acho disso tudo, eu tenho certaza que eu diria: "Relaxa, vai."


*coletivo de borboletas

23 de set. de 2008

Duas em uma

*
Acorda às 6h da manhã, levanta da cama como um zumbi e se arruma pra trabalhar.
**
Às 6h da manhã, entra no quarto com o corpo cansado, parecendo um zumbi. Põe o pijama e nem lembra como deitou porque já estava a dormir.
*
Às 10h já tem reunião. Pega o caderno, pega a caneta, imprime planilha, confere o local, põe o celular no vibra e corre pra sala onde todos já estão.
**
Às 10h sonha algo bom. Acorda e sorri. Ajeita o travesseiro e volta a dormir.
*
12h, finalmente! Hora de almoçar. Coloca o casaco, pega o dinheiro, junta os colegas e comenta sobre o prato do dia.

**
Às 12h acorda, olha no relógio...e volta a dormir.
*
15h e a barriga volta a roncar. Hora do lanche da tarde. Larga a correria que o cronograma já previa e vai tomar um café e comer pão de queijo.
**
15h acorda torta de tanto dormir. Levanta e vai tomar seu Nescau. Volta pro quarto e, ainda de pijama, liga a TV. Nada interessante...mas a preguiça de procurar um canal é maior.
*
15h10...de volta à correria.
**
15h30 abre a janela e liga o computador. Entra no Orkut, no Messenger, desliga a TV, liga o som, e continua de pijama.
*
17h – Que hora mais feliz. Agora falta uma!
**
17h – Havaianas encaixada na meia entre os dedos, e vai pra cozinha ‘almoçar’.
*
Às 17h55 salva o arquivo, olha o e-mail pela última vez, confere as pendências do dia seguinte. Começa a recolher suas coisas, desligar o computador. Já são 18h! Ufa! Hora de ir pra casa.
**
Às 18h ainda tem preguiça até mesmo de existir.
*
19h e ainda está presa no trânsito.
**
19h é hora de começar a pensar o que será da sua noite.
*
20h e pouco chega em casa! Ufa! Novamente. Daqui pra frente: Comer, tomar banho, colocar pijama, ligar o som ou a TV, conferir Orkut, conversar no MSN.
**
20h30 já sabe pra onde ir e quem busca quem aonde. Hora do banho.
21h30 O cabelo está seco e está provando o guarda-roupa inteiro.
22h00 Entra no site do local. Confere o endereço, pega o guia de ruas e aprende o caminho.
22h30 Troca de bolsa. Pega o necessário. Não esquece o celular, dinheiro, documento, batom. Ah...nem o chiclete!
22h40 vai se maquiar e perfumar.
23h Sai de casa.
*
23h30 já é tarde, mas enrola mais um pouco.
24h Agora chega...hora de dormir! Desliga o computador, escova o dente, ajusta os despertadores (um não é suficiente), o sleep da TV, apaga a luz, deita e dorme.
**
24h encontra as amigas e pega o rumo da balada.
24h30 chega ao local.
1h está com a latinha na mão.
2h está rindo do cara que dança esquisito.
2h10 está falando mal do comprimento da saia daquela loira zuada.
3h começa o show.
4h está se acabando de tanto dançar.
5h acaba o show.
5h30 vai embora.
*
6h o despertador toca. Vai começar a agitação do dia. Levanta da cama como um zumbi e se arruma pra trabalhar.
**
Depois da noite agitada, às 6h Chega em casa. Entra no quarto com o corpo cansado, parecendo um zumbi. Põe o pijama e nem lembra como deitou porque já estava a dormir.

É uma única pessoa. Mas * espera a semana inteira para chegar o fim de semana e ser **.

14 de set. de 2008

Todo final tem seu fim.

Escolhe o esmalte, a roupa, o sapato.
Escolhe o brinco, o brilho, o detalhe.

Liga pra uma, pra duas, pra todas.
Atende um, outro e fala com todos.

Acende a luz, vira o espelho, aperta o cinto.
Aumenta o volume, bota o sorriso na mente, só pra esquentar.

Vira uma, vira duas, vira três.
Dá uma rodadinha, e mais uma, outra vez.

Levanta os braços, distribui abraços.
Balança o corpo, mexe os pés, aperta as mãos.
No bolso, no rosto, na lata, no ar.
De frente, de lado, no ritmo, devagar.

E ri, sorri.
É, vivi, morri e renasci.

9 de set. de 2008

Continuando a onda do Manual...

O prazer pode ser seu.

Oi! Você não me conhece, por isso vim me apresentar.
Na verdade sou diferente de muitas que você já encontrou por aí.
Sou tão especial quanto todo mundo é. Mas também não sou tão indiferente assim.
Você tem o direito de tentar certas coisas. E eu tenho o mesmo direito de aceitar ou recusar.
Se você espera de mim uma balada boa, um sorriso iluminado, um monte de risadas, um olhar, um carinho, um beijo bom, uma saideira em um motel...talvez eu te dê tudo isso um dia. Mas você vai ter que merecer.
Eu não sou nada difícil, mas tenho o meu tempo que precisa de respeito.
Conquiste minha confiança, e desperte um pequeno gesto íntimo por dia, mesmo que seja simplesmente olhar no fundo do meu olho, e sorrir.
Se você pretende me entender, vai ter que se esforçar! E ter muita paciência. E tempo.
Irei te proporcionar pequenos, grandes, inesquecíveis e deliciosos momentos. Mas não tenha pressa. E não pise na bola.
Eu preciso de atenção. Preciso de confete. Preciso de piadas, colo, de cuidados e de cuidar. De bom-humor, compreensão, e mais uma vez, paciência. E de exclusividade.
Se eu mal te conheço, você faz o que quiser nas minhas costas, mas quando estiver comigo, ‘esteja comigo’.
Se provocar, me beije! Me pegue de surpresa. Mas não demora, pra eu não achar que você não está fazendo mais que a sua obrigação.
As programações são as melhores. O pique quase interminável. E a disponibilidade....grande sempre que possível.
Se você me beijar naquela música, grave-a, porque de certo eu vou lembrar!
Se você tem outra, não demore a escolher. Porque logo eu vou descobrir.
Se você tiver os mesmos gostos que eu, ponto pra você.
Se você não quiser nada com nada, beijo-tchau.
Se quiser fazer valer a pena, vem comigo. Eu te explico no caminho.

6 de set. de 2008

Meu manual

Não me segura pelo pulso!
Me larga, me deixa ir,
Mas me puxa pela cintura.
Eu ainda assim vou, mas vou ter vontade de voltar.

Me prende pelo pensamento.
Invade meu sono que te garanto um olhar.

Me descuida que prometo que vou me cuidar.
E sai de perto, só assim vou te notar.
Me surpreende, esse é o único jeito de te lembrar.

Não fala muito, mas me mostra tudo.
Um suspense funciona, mas ação comanda.

Me diga sempre a verdade.
Nenhuma delas me assusta e ainda garante a tua liberdade.

Mexe no meu cabelo com jeito que é desse jeito que eu vou me apaixonar.
Me mostre uma boa dose de respeito e, certamente assim, vou te amar.

Se nada disso funcionar, meia volta e volte ao teu lugar. Eu não posso te enganar. E pior que isso: não consigo me forçar.

3 de set. de 2008

Job # 5

Eu vou escrever um livro. Está decidido.
Não será um best seller. Também não estará no Top 5 dos mais vendidos.
Nem no Top 10, nem no Top 100, nem no Top N+1.
Talvez nunca nem seja vendido.

Talvez, do momento do lançamento dele até o momento da minha despedida da vida terráquea, só 5 ou 6 pessoas o leiam.
Mas tudo bem. Sério.

O objetivo de reunir tudo que um dia eu contei em pedaços de papel que me encararam é ser meio Frank Sinatra, meio Ghandi.
E como num bom filme, eu terminaria dizendo o que um protagonista-mocinho diz: "Tudo bem, eu não o fiz pelo dinheiro...".

23 de ago. de 2008

Essa rua não é minha

A rua gritava. O asfalto tremia.
Nessas, o caminho fugiu.
O carro, com a rota enlouquecida, deu a volta no quarteirão e partiu.

O motorista nem pensou.
O caminho foi decidido sem que ele pudesse questionar.
No meio de todo xilique veio a chuva. Lavou a rua, o capô, a calçada e a alma.
Sobrou o silêncio, poeira e um semáforo quebrado, parado no sinal vermelho.

Aí veio o vento que, de tão forte, derrubou a árvore da esquina.
A faixa de pedestres era um tapete de folhas caídas à beira da morte.
E ai, só então, a rua se calou. Sem faixa, sem caminho.

Se sentiu traída pelo tempo, se sentiu fora do mapa.
Se sentiu abandonada pelo caminho que sempre este ali e covardemente fugiu.

13 de ago. de 2008

Play me like a song

Você o vê cantar e o seu coração vai junto no refrão.
Você o vê dançar e seus pés flutuam no balanço da canção.
Você o vê tocar e sua mente viaja por cada acorde, cada melodia, cada som.
Você vê um desenho seu, um texto seu e é um misto de arte e dom.

A beleza? Ela tá lá estampada e só você é que vê.
Os defeitos? Viram harmonia no conjunto da obra e a falta deles o tornaria incompleto.
O andar, o falar, o tocar e o olhar são juntos a máxima da imperfeita perfeição.

A vontade é dominante.
A oportunidade, recessiva.

Não há cura, mas também não há mal. O talento é um afrodisíaco natural.

8 de ago. de 2008

Hoje é sexta! E?

U-hú!
Hoje é SEXTA-FEIRA...chega de canseira!
Eu esperei a semana inteira pelo melhor dia da semana!
Contei cada hora. Cheguei na Segunda pensando “amanhã já é Terça!” e eis que a semana voou!
Hoje eu acordei, tirei o cobertor com a empolgação de ser praticamente final de semana!

Mas aí eu senti frio. E ouvi a chuva. E liguei a TV para descobrir intermináveis quilômetros de congestionamento.
Coloquei minha bota de cano alto como quem se prepara pra ir à guerra. Afinal eu moro em SP e está chovendo. Tem comparação melhor?
Tem sim...o inferno!
Pronto! Lá se foi a sexta-feira maravilhosa.

Fiquei quase uma hora em pé esperando meu fretado. E olhe que eu cheguei em cima da hora, quase correndo e tentando equilibrar minha bolsa grande e meu guarda-chuva cor-de-rosa-mamãe-tô-aqui! (odeio ter q usar guarda-chuva)
Graças a Deus inventaram SMS....Celular vira passa-tempo. (Ai! Minha conta no fim do mês.)
“Meu! Tá um trânsito do caralho! Meu fretado ainda nem passou aqui. Cidade do inferno! Odeio a ZL!”
Já no quentinho do ônibus e com o humor menos ruim, recebi a resposta do engraçadinho:
“Relaxa linda...Curte a sexta chuvosa. To aqui espremido no ponto de ônibus Tb.”

‘Curte a sexta chuvosa?’
Claro que ele diz isso porque namora!
A sexta-feira chuvosa se adéqua perfeitamente ao atual estilo de vida DELE.
Gracinha.
Bem feito que tá espremido no ponto. Eu to aqui no quentinho, pelo menos. E o encosto do meu banco inclina. Há!

Cheguei no trabalho quase 10 hras da manhã e claaaro, com todas minhas tarefas da manhã atrasadas.
Vai...corre retardada! Num quer morar longe?! Agora sofre!
(Pior que não! Não quero. Moro por falta de opção plausível.)

E agora me pego aqui pensando na minha noite genial.
Com essa chuva? Dura do jeito que eu tô?
Eu trocava qualquer balada por um programinha a dois.
(Sim, minha revolta com o rapaz ali de cima era pura dor de cotovelo.)
Trocava qualquer gasto com estacionamento, balada, drinks e engovs por pizza, cinema/locadora, pipoca/brigadeiro e um cobertor bem quentinho pra dois.

São Pedro devia entender a necessidade que um ser ‘solteiro-sozinho’ (*calma!já explico.) tem de uma sexta-feira linda, agradável e com uma programação boêmia agitada sem obstáculos.
*Existem solteiros felizes em estar solteiros e que não se sentem sozinhos. Mas também existem os solteiros que já cansaram da condição e se sentem sozinhos. No primeiro caso, faça chuva ou faça sol, a pessoa se joga. Já no segundo caso (ps.: o meu!), algumas coisas tiram um pouco a disposição. Fora que as ‘nights’ podem ser incomparavelmente sensacionais, mas raramente completas. Ou seja, a chuva só está aí para agravar a crise.

Desculpe, dispersei.
Voltando ao assunto...Afinal, a sexta ainda está chuvosa e fria.

Acho que hoje não haverá aventuras pelos transportes públicos da cidade para chegar a um destino que me levará para uma noite animadoramente (ironia) molhada que me fará pensar na minha cama quentinha, a qual eu não verei, afinal, não terei como voltar pra casa. Amanhã acordarei, o sábado estará chuvoso e eu irei reabrir meu guarda-chuva cor-de-rosa-mamãe-to-aqui para voltar ao meu doce lar.
Não, obrigada.

Hoje é dia de banho quente, chazinho e Globo Repórter. Se é que isso ainda existe.
E quem precisa de cobertor de orelha se tem um ursinho quase Pimpão esquentando o travesseiro?
É...talvez eu precise.

Falta muito pra próxima Sexta?

7 de ago. de 2008

Aos Essenciais.

Vontade de declarar

Ela acordou e diferente de todos os outros dias em que não fala até terminar seu café, ela desejou bom-dia. Abraçou e beijou cada um e ainda lavou a louça.

Ela pegou o telefone e discou seu número. Ligou para dizer que apesar de às vezes parecer difícil e cansativo, tudo vale a pena. Vale por ser mais do que um mero desejo. É um sonho! E sonhos não caem no colo. Precisam ser batalhados e exigem sacrifícios. Mas vai ficar tudo bem. Você vai conseguir. Aproveitou para dizer que te ama. Que vocês são muito diferentes e isso dificulta as coisas muitas vezes. Mas que sabe que vocês nunca duvidaram que esse amor é maior que tudo.

Aí ela foi pra faculdade. Ela já se formou, mas foi mesmo assim. Porque você estaria lá e ela estava com saudade. Ela viu você esses dias, mas ela gosta tanto, que sente falta de quando via mais. Em tão pouco tempo, ela se identificou e quer você presente sempre na vida dela.

Ela também foi até sua casa te encontrar para te agradecer. Agradecer por você fazer parte da vida dela. Por nunca deixá-la sozinha. Por nunca tê-la decepcionado. Por você ter sido uma das melhores coisas que aconteceu. Por sua família tê-la adotado. Ela foi na sua casa porque lá se sente em casa também. E porque precisava te dizer o quanto te ama e o quão importante você é.

Horas depois, passou num boteco. Ela sabia que te encontraria lá. Queria te falar que, inexplicavelmente, você é alguém em quem ela confia desde sempre. Que quando ela está triste ou feliz, tem vontade de ter você por perto. Você é alguém com quem ela curte conversar, que a acrescenta e ela gosta muito de gente assim. Ela acredita e confia na sua fé. Adora seus conselhos, mesmo quando é teimosa e não os segue. Veio dizer que às vezes odeia quando você diz que ela não deve te contar certas coisas. Mas ela sabe também que é verdade. Ela foi pedir pra você nunca desistir dela. E pra dormir na sua casa depois da balada. Aproveita e faz pão de queijo?

Saiu do boteco já trilili, e foi pra balada onde você ia. Quando te viu, correu pra dançar com você. Já chegou fazendo o “culto ao chão”. E depois de umas caipirinhas e tequilas, não perdeu a oportunidade de dizer mais uma vez que é bacana ter você por perto. Que o tempo demorou pra aproximar vocês, mas quando o fez, fez bem feito. Ela adora suas teorias e suas gracinhas. Ela adora a essência que você se tornou aos finais de semana.

Uns dias depois, passou no seu trabalho. Era o único jeito de te encontrar. Quando te viu, não soube mais o que dizer. Simplesmente te cumprimentou. E depois saiu incomodada. Não foi notável suficiente a ponto de você não resistir a qualquer tipo de comentário ou sinal. Foi embora e não fez o que foi fazer. Desta vez, achou melhor não falar com você.

Pegou o celular e mandou um sms contando a novidade boa. Você sempre torce e compartilha tudo com ela. E é recíproco. Independente das brigas, a ligação é forte e suas vibrações sempre positivas. Você respondeu contando de sua felicidade em vê-la feliz. Parabenizou-a e mandou beijos.

Ela fechou o celular e desligou tudo: o computador, a televisão, a luz e seu próprio corpo. Deitou a cabeça no travesseiro e se pôs a pensar em você. Agradeceu a Deus por você fazer parte de seus dias.


08/04/2008

5 de ago. de 2008

Troca, Seu Dotô.

Olhe Seu Dotô,
Pode trocá, faiz favô.
Esse aqui tá é muito mirradinho, todo remendado. Tá bem fraco o coitado.
Quarqué tombinho i pronto. Quebra em pedacinho i fica tooodo dismilingüido.
Pode trocá sim, Seu Dotô.
Pode punhá ôtro no lugá.
Aproveita i põe um mais forte. I menor. É Seu Doto, minor!
Minor pra cabe menos coisa. Quanto menos coisa guardá, mais tempo esse novo vai durá.
Troca sem dó, Seu Dotô.
Porque esse tá é bem cansado de trabaiá. Precisa de descanso i de um poco di paz.
Eu num vô mi arrependê não, Seu Dotô. Tô certo do qui tô ti falando.
Esse aqui já mi deu muita alegria, mas também mi trouxe tristeza pra daná. As coisa boa a gente guarda na cabeça, mais o resto, a gente pode trocá.
Escuita o qui eu tô dizendo, Seu Dotô. Troca i num me faiz tanta pergunta.
Quanto mais o sinhô pergunta, mais ele dói di lembrá.
Eu preciso de um novo. Pra módi podê recomeçá.
Esse aqui já num sabe mais qualé o ritmo certo qui tem qui funcioná. Tem hora qui acelera e pula di alegria. Mais tem hora qui fica vazio e apertadinho.
Por isso qui eu tô falando, seu Dotô.
Troca logo de uma veiz esse meu coração bobo que já perdeu a noção do certo e vivi a discompassá.

4 de ago. de 2008

Se a carapuça não te servir, passe para o próximo.

Se tem uma coisa triste nessa vida, é a burrice.
E se tem uma coisa mais triste ainda, é a pessoa que é burra e vive na sombra do achismo da plena esperteza.

É, o achismo é uma tristeza só. Você vê a pessoa falando, se achando isso e aquilo, e no final das contas, só sobra a ignorância palpável da burrice.
A tal da burrice tá presente nos caracteres transviados que ela escreve, nas palavras tortas que ela pronuncia, nas idéias erradas que ela filosofa, na cretinisses que ela espalha por aí, pelo mundo a fora. E o achismo está em tudo isso quando ela acha que é completamente o contrário: quando acha que tá escrevendo legal, quando acha que tá falando bonito, quando acha que tá pensando direitinho, quando acha que é uma delícia, quando acha, acha, acha e nada é.

Quase que cientificamente - pausa: leia com atenção; parecerá definição de dicionário.
Quase que cientificamente, o achismo desta esperteza se dá quando a pessoa acha que pode fazer e falar o que bem quiser, agir de má fé, inclusive, e sair ilesa, contando vantagem e expondo a sua conquista barata e suja. E o pior: ainda arranja um jeito de convencer a quem se dá o trabalho de ouví-la, que ela fez por merecer, que é digna.
Que dó. Que raiva. Que ânsia.

Agora me fala: é ou não é triste? É, se tem uma coisa triste nessa vida é a burrice.
E se você não conhece alguém assim no seu círculo amplo de convivência, provavelmente é um deles.

31 de jul. de 2008

Feito Joao e Maria

Todas as coisas têm seu lugar. Lugar na mente, lugar no tempo, lugar no coração.

Mas elas tem uma maniazinha besta de brincar por aí, no espaço alheio. E vão, e voltam. E ficam, e saem.

E a gente morre de medo de perdê-las ou esquecê-las por aí. Mas se existe um lugar, existe um caminho para chegar à tal lugar. E se existem coisas ocupando esse lugar, existem espaços feitos para serem ocupados.
E se existem caminhos, como não haverá pão para marcá-los?

O que vale a pena, existe. O que existe, é seu. As memórias importantes... Elas sempre acham o seu lugar.
O pão no caminho a vida se encarrega de deixar.

23 de jul. de 2008

A segunda vez

A primeira vez dói. É ruim mesmo, sério. Principalmente quando você fica botando na tua cabeça que vai ser tranquilo, vai ser tranquilo, vai ser tranquilo.

Mas a segunda vez... Putz, a segunda vez é tensa. Tensa, pois você já passou por aquele estresse da primeira vez e fica achando que a segunda vez você vai tirar de letra, que vai ser tranquilo, vai ser tranquilo, vai ser traquilo. E não é tranquilo.

Da primeira vez, dá um puta desespero, você não sabe o que fazer. Fica perdida, quase sozinha com aquela dor que parece que só você tá sentindo. Porque para a outra pessoa parece que só existe prazer. Dói tanto que dá vontade de chorar. E às vezes se chora mesmo.

Agora para a segunda vez você acha que já vai estar preparada, que pode ir tranquila (tranquila, tranquila) que vai dar conta. E aí você não dá conta. E ainda por cima se dá conta de que não é mais desespero. É raiva, quase ódio. É angústia, quase desespero (?).

Mas a segunda vez te prepara para a terceira vez. Sim, isso ainda vai rolar muitas vezes. Infinitas vezes, eu diria para mim mesma.

É, ser feita de idiota pela segunda vez (e não estar preparada pra isso) é ruim pra caralho.

PS: Não te amo (rá, rá, rá).

PS2: Minha garganta tava arranhando e mandando mensagens pros meus dedos. Precisava escrever sobre isso.

PS3: Ronas, obrigada por me incentivar a usar o conteúdo do PS2.

14 de jul. de 2008

Reencontro

Ela o reencontrou.
Já nem lembrava mais dele, até avistá-lo.
Quando o viu a primeira vez, ele era distante e nem notou sua presença.
Mas graças às voltas que o mundo dá, estavam ali novamente em um mesmo lugar. Mas, desta vez, muito mais próximos. Mais do que ela poderia imaginar.
Ao mesmo tempo que o tinha como um estranho, encontrava naquele rosto todos os traços, os olhos, o sorriso e cabelos extremamente familiares. Sabia onde o tinha visto. Sabia quando. E também sabia que podia ser mera coincidência reencontrá-lo. Ou não. (Pra quem não acredita em coincidências.)
Embora não acreditasse, e nem pedisse contos de fadas, este parecia um.
Se ele estava ali, havia alguma possibilidade de não ser por acaso, e ela não sairia dali sem ao menos ter feito sua parte em tentar.
E ele estava tão acessível.
Em pouco tempo, se conheceram, se falaram, brincaram, riram.
Estavam com outras pessoas, e isso os fez se perderem de vista. Mas ela sabia que não por muito tempo. Com certeza, eles se esbarrariam novamente.
Não demorou, e se reencontraram no meio da pista. Dançaram, riram....de repente, todos os conhecidos haviam se afastado.
Ela já tinha visto isso acontecer antes. Mas desta vez, tudo estava diferente, e nenhum dos dois se importou.
Ela estava explodindo por dentro. Sentimentozinho bom. Daqueles que dá até um frio na barriga. Esquisito...e delicioso. Há tempos não se sentia assim. Perdeu a noção do tempo mais uma vez.
Ele dançou com ela.
Já não era mais um estranho. Tinha um nome, uma voz, um olhar...
Estava tão perto.
Todos aqueles detalhes que ela passou tanto tempo prestando atenção na primeira vez, estavam ainda mais detalhados àquela pouca distância. Os olhos dele brilhavam, e ali nem havia sol para refletir. Era assim mesmo, brilhava ao natural. Tanto quanto o sorriso gostoso que ele sorria.
E a distância diminuía.
Olho no olho, olho na boca, braço no abraço, boca na boca.
Enfim, o primeiro beijo.
Ah! E que beijo...

5 de jul. de 2008

A minha não-missão no mundo.

Às vezes, quando digo que não ligo a mínima para o que você pensa, estou mentindo.
Não que eu tenha o hábito de mentir, mas finjo algumas coisas, de vez em quando.
Não que eu tenha o costume de fingir, mas escondo detalhes aqui, lá, quando necessário.

Não aprendi a dizer o que você quer ouvir. Prefiro nunca mais olhar na sua cara, mas preciso saber que você sabe exatamente o que eu penso sobre isso ou aquilo.

Não nasci para botar sorriso na cara de ninguém. Talvez por isso as pessoas sorriam para mim.

21 de jun. de 2008

Aos poucos e bons

Eu faço 22 anos agora, mas queria dar mesmo parabéns à você:

Você que me agüentou por mais de 5 minutos,
Você que me ouviu falar por mais de 10 minutos,
Você que me deixou falar o que eu pensava e entendeu que não era nada pessoal,
Você que me respeitou,
Você que me deu a mão, o ombro e colo quando precisei,
Você que confiou no que eu disse,
Você que soube entender a minha confusão e gosta de mim, mesmo assim,
Você que riu do que eu falei, mesmo não sendo pra ter graça,
Você que me viu mudar de idéia tantas vezes e nem por isso se encheu de mim,
Você que agüentou minhas descargas de estresse por tão pouco e sempre,
Você que acreditou que eu podia mudar e viu a mudança acontecer,
Você que me aceitou desse jeito, meio sem jeito de nada,
Você que simplesmente me aceitou como eu sou porque sabe que tem certas coisas que não mudam e são especiais por serem como são.

Vocês são poucos e bons. Vocês valem a pena.
Obrigada de coração por fazerem parte da minha vida.
Sem vocês, eu seria bem sozinha. Eu, minha vida e a outra metade de mim.

5 de jun. de 2008

Ventos Velhos

E o medo bate forte
Nessas horas em que a sorte
Vem correndo abraçar a gente

(São ventos velhos que voltam
E assombram quem amou e já morreu)

Mas quem sabe que o futuro
É provido de solução
Fecha os olhos e se atira,
Dá aberto o coração.

Se machuca, já não sei.
Não quero e não vou pensar.
Vou apenas fechar as janelas
Para o sol não te acordar.

31 de mai. de 2008

Aquele abraço

E quando eu disse que queria te deixar ir, eu não estava falando a verdade.
Eu apenas estava te deixando ir, porque eu já tinha tentado todas as outras possibilidades em vão.
Ainda naquele momento, mesmo derramando lágrimas dos meus olhos enquanto secava as suas, eu afrouxava aquele abraço tão profundo que fez com que nossos corações batessem juntos, fortes, e tão próximos como se fossem um só. Não era apenas o abraço que se desfazia, mas uma história intensa, cheia de momentos e sentimentos. De emoções fortes, doídas e felizes.
Era um momento tão inseguro quanto difícil. Parecia que as palavras saíam da minha boca por um impulso. Se eu parasse para pensar, talvez tivesse fraquejado. Mas não podia deixar tudo como estava. Aquele momento doía, mas eu sabia que ia passar. Já a minha angústia diária estava se tornando insuportavelmente maior do que toda paixão que ardia entre nós.
Definitivamente era o fim. E já vinha passando da hora.
Mas a verdade maior disso tudo, é que naquela hora em que te mandei embora, uma voz gritava dentro de mim. Cheguei a ter medo de que você a ouvisse. Ela estava torcendo. Torcendo muito! Torcendo para que você me surpreendesse. Que diante da realidade do fim, você me dissesse que não queria me perder. Que queria tentar, pois não podia ficar longe de mim. Sentiria demais minha falta.
Mandei ela se calar e esperei sua reação.
Você me deu aquele abraço, deixou escorrer aquela lágrima, e depois agiu exatamente como eu esperava que você agisse. Completamente oposto ao que eu queria, você simplesmente se foi.

17 de mai. de 2008

Sem inspiração para um título.

O sentimento de solidão inspira. Veja: amar em segredo inspira. Amar sem ser amado inspira. O último adeus inspira. O ócio inspira. Um local vazio. Uma folha em branco. Uma pergunta sem resposta. Uma idéia não compreendida.

Tudo que caminha/existe/sente/vive sozinho gera um quê automático de inspiração.

E ainda assim, mesmo cercada de elementos que chamo de obrigatoriamente solitários, sinto uma enorme falta de inspiração capaz de me levar a raciocinar, sem motivo e sentido algum, sobre tudo isso.

Ou nada disso, como preferir.

27 de abr. de 2008

Ela aprendeu a ir em 2008

Ela foi. ‘Ir indo’ se tornou uma premissa em sua vida. Ela foi viver, ela foi sentir, ela foi deixando, ela foi fazendo as coisas como se tivesse indo faze-las. Ela não tinha mais pressa para ir a lugar algum.

Ela pensou: “Eu vou, porque não?”. A vida a leva pra onde ela tem que ir. Sem pressa.

Daí, ela viu que ‘ir indo’ é bem legal. Essa coisa de não ter ânsia nem pressa faz um bem danado pra cabeça. É, porque a cabeça tem uma mania infernal de correr demais, e todo mundo sabe que correr demais cansa.

Ela não queria mais se cansar, então resolveu deixar as coisas ‘irem’ do jeito delas e viu que isso realmente poderia funcionar a seu favor.

Aplicou essa coisa de ‘ir indo’ a praticamente tudo na sua vida, exceto ao trabalho. [No trabalho, as coisas são diferentes. Tem que fazer pensando, tem que ter pressa, de vez em quando.] Mas de resto, a coisa do ‘ir indo’ funcionava bem.

Nessa de ‘ir’, existe um medo que é de não saber voltar. Não há pedaços de pão suficientes para marcar o caminho de volta. Mas ela pensou que não existe um caminho certo, apenas. Existem sempre possibilidades. E sentiu a calma de apenas ir, enquanto todos estavam preocupados em ir depressa.

22 de abr. de 2008

Inferno de todo dia

Segundo o IBGE, há quase 192 milhões de habitantes no Brasil. Uns 11 milhões deles estão concentrados somente na cidade de SP, o que equivale a, aproximadamente, 5,7%. Um número muito considerável quando levamos em conta seus 5.564 municípios.
E não precisa ser nenhum matemático para observar tal estatística em nosso dia-a-dia.
Basta abrir os olhos para ver a cidade transbordar.

Os mais de 4 milhões de automóveis que transitam por nossas ruas todos os dias, têm sido grandes responsáveis por crescentes índices de congestionamento.
Sem falar em mais 4 milhões de pessoas que utilizam o metrô todos os dias. Atualmente, ele está SEMPRE cheio. Mas ainda assim, nada se compara aos horários de pico.
Somente no Tatuapé, entram no metrô uma média de 60 mil pessoas/dia. Na Sé, 77 mil.
Dizem que, na Linha 3 – Vermelha (Leste-Oeste), cabem 1.600 pessoas em cada trem. Isso seriam umas 267 pessoas por vagão. Com certeza quem indicou esses números, não andou de metrô nos tais horários de pico citados acima. Tenho impressão que pelo menos umas 400 pessoas se enfiam em cada um deles. É uma certa vocação à sardinha enlatada.

Agora chegamos ao ponto onde eu queria chegar.

Oi! Eu sou parte integrante daqueles 4 milhões que freqüentam o metrô. Mais precisamente, sou uma daquelas 60 mil que pegam o metrô no Tatuapé todas as manhãs. E este é só o primeiro dos 3, seguidos por um ônibus. São umas 2 horas perdidas todos os dias para ir e voltar do trabalho. Tempo esse, que se resumiria em menos de 1 hora e meia em horários normais. Ou mais humanos, pra quem entende do que estou falando.

Por que todos esses números?
Para mostrar a realidade do meu testemunho.

Sou uma trabalhadora dependente do tal transporte público. Aquele inferno!
Presencio cenas de horror diárias. Imensas demonstrações de falta de respeito ao próximo. Manifestações do instinto de sobrevivência. Sim. Aquilo pode ser comparado a uma selva. Embora eu ache a selva ainda mais civilizada.

É impressionante a mágica que esse povo faz. Sai um, entram 4!
Você não precisa entrar no metrô. Apenas deixar rolar. É um misto de se deixar levar pela osmose e se jogar lá pra dentro. Tem que saber a hora certa de aplicar cada técnica, e essa missão é algo que se aprende com o tempo.
Se bobear, os trogloditas passam por cima sem se preocupar se você está sendo esmagado contra outras pessoas, ou caindo e se enroscando no vão entre o trem e a plataforma (aquele próximo à linha amarela que deve servir de enfeite, já que não vejo ninguém respeitá-la).

Eu sempre espero um menos cheio. Sou claustrofóbica. Talvez essa não seja a melhor definição ao meu pânico àquela multidão. Não sei bem o nome do tal mal-estar. Mas posso dizer que é um processo psicológico progressivo, que começa com o pensamento de “e se eu passar mal?” e termina, na melhor das hipóteses, com a pressão lá no pé. Na pior, em desmaio. Coisa fresca, né?! Pois é...frescura não combina com metrô. Nem comigo. Mas é algo que venho desenvolvendo a cada dia. Involuntariamente.

O metrô tem todo tipo de figura. Desde os manos e “piriguetes” que a gente sabe q vão descer na Sé, até os engravatados que trabalham na Av. Paulista. Sem falar naqueles alternativos estilosos, cheios de alargadores e tatuagens que sem dúvidas vão desembarcar na Consolação e descer a R. Augusta. É uma riqueza em termos de cultura do nosso povo. E eu procuro apreciá-la como forma de distração. Mas é difícil se distrair quando você não tem espaço nem para tirar aquele fio de cabelo que está fazendo cócegas no seu nariz.

Só de pensar, já perco o fôlego e tenho tonturas. (Inspiiiira, expiiira.Ufff)

É aí que a gente dá valor às coisas simples.
Tem prazer maior do que a sensação de sair daquele forno (Afinal, o inferno é quente.) e sentir um ventinho frio no rosto?
Felizmente, consigo pegar o busão vazio e vou relaxando sentada até chegar ao trabalho.

Às 18 horas, é o fim do expediente. E novamente, horário de pico.
Vamos dar um tempinho?


Que tal uma breja?

9 de abr. de 2008

Bodas

Manja almas-gêmeas?
Não sei bem explicar se era o caso deles. Isso porque ainda não sei definir exatamente o que seja uma alma-gêmea.
De qualquer forma, acredito em algo superior que explique a história deles.

Sabemos que relacionamentos são tão frágeis e a convivência tão agitada e complexa, que são poucos os que sobrevivem às fraquezas da paixão. O amor eterno vem se tornando cada vez mais extinto.
Mas com eles era diferente. É por pessoas como eles que eu ainda acredito neste sentimento entre um homem e uma mulher.
Eles eram um exemplo diário de paciência, compreensão e parceria.
Construíram tudo juntos: um lar, uma família, uma história.
Se conheceram uma vez e mal conversaram.
Mas o destino insistiu e os apresentou novamente. E dessa vez sim, tudo começou.
Depois disso se casaram e 2 anos depois tiveram sua primeira filha. Ela parou de trabalhar e se dedicou à casa e sua nova família.
Tentaram o segundo bebê, mas este teimou em não vir. Não era pra ser. Ficaram com sua única filha.
Enfrentaram mudanças. Ele trabalhou muito. Cresceu. Recebeu oportunidades. E mesmo quando as coisas começaram a regredir, eles encararam os problemas juntos.
Conseguiram dar tudo que desejavam para sua filha, que tinha sua vidinha de princesa. E aos 13 anos, deixou de ser única.
Pois é, a vida deu uma demonstração nítida de que nunca é tarde para recomeçar. E com todas as dificuldades, a surpresa foi um presente. Um menino. Este também cresceu saudável e com tudo que precisa para ter uma infância feliz. Todos ficaram bem.

Ele, cada ano que passava, se tornava mais cabeça dura. Era uma pessoa difícil, às vezes até se assumia ignorante. Fazia o que acreditava ser o melhor e não ouvia ninguém. Se desequilibrava diante de situação difíceis e era estúpido quando perdia o controle.
Ela, também não era a maior das delicadezas. Sua paciência andava cada vez mais curta. Ela desistia de discutir em certas situações. Só dizia: faz o que você quiser. E tinha mania de depois jogar na cara tudo que foi decidido errado.

Mas ele era sensível. Apaixonado por sua família. Fazia qualquer coisa por ela e passaria o maior tempo possível grudado nela. Até quando fazia burrada, fazia na melhor das intensões, pensando no que seria melhor pra todos.
Assim como ela era preocupada, interessada, compreensiva e companheira. Não desistia de tentar mostrar o que era melhor. Sempre apoiou todos os membros de sua casa, idependente da decisão.Era forte. A mais forte ali.

Eles eram loucos um pelo outro. Eram uma vida só. E por isso passavam por tudo isso sempre juntos.

Aquela força superior que os unia, era o amor.
E eles não eram. São! Há 25 anos.

1 de abr. de 2008

Um texto para chamar de meu

Escrever me faz bem. Reparei isso há alguns anos. Talvez uns 8.

Um suco de laranja com uma pedra de gelo me cai bem. Isso eu só reparei anteontem.

Cabelos mais curtos vestem melhor minha personalidade. Tenho ouvido dizer por aí.

O preto disfarça o que a preguiça me causou. Mas ainda me sinto bem com meu vestido branco com detalhes em roxo, apelidado carinhosamente de 'marinheiro'. Talvez porque ele seja larguinho...

Um sorriso me disfarça melhor, mas não consigo evitar expremer os olhos, franzir a testa e morder a boca enquanto trabalho.

Odeio expôr minhas fragilidades, mas não posso evitar de deixá-las escapar entre gestos e palavras, pois isso me torna mais humana, menos reativa.

Viver os dias me satisfaz. Uma boa dose de amigos, outra dose de cama e comida me trazem paz e acertam o descompasse da balança entre a maturidade e a adolescência que insiste em se distanciar.

As lembranças vivem em meio a uma Jihad eterna dentro de mim. E eu me pego todo o tempo tendo que escolher entre ir ou ficar.
Por sorte, ao final, fico sem escolhas. No final,a luz tá sempre lá na frente e ao olhar pra trás, vejo pouco, quase nada. E é ai que o clichê, meio torto, se confirma: o que os olhos não vêem, o coração (quase) não sente.

28 de mar. de 2008

Início...e fim?

Ela esteve ali parada durante horas a observá-lo.
Havia se excluído do mundo por vários minutos, dedicada em reparar cada traço, cada detalhe, cada jeito, como se quisesse registrá-lo num retrato em sua mente. Não queria esquecer daquele rosto.
A luz do sol parecia entrar ali unicamente para refletir em seus olhos.
Aqueles minutos se tornavam preciosos. Parecia que o mundo estava rodando em torno deles. Que o tempo havia parado. Que de alguma forma, ele era seu.
A verdade, é que o tempo não parou. E ele não a viu.
As várias pessoas em volta começaram a se movimentar. Estavam todos indo embora, e ela também teria que ir. Mas ela esperou para vê-lo se levantar, e só pode reagir quando o viu passar pela porta de saída. Tentou seguí-lo, mas não havia como alcançar. Os rumos eram opostos. Eles se foram...cada qual para o seu caminho.
Ela com aquela sensação de vazio. De tê-lo perdido para sempre. Sem ao menos ter sido notada.
Ele seguindo sua vida, da mesma forma de antes. Sem nenhuma novidade. Sem ao menos tê-la notado.

15 de mar. de 2008

Se for, prometa voltar.


Ela entrou pela porta da frente. Chegou fazendo barulho, derrubando o que estava no lugar, arrumado. Passou por cima do que estava no chão, chutou o que não gostou, quebrou a ordem. Chegou sem dó, sem pedir licença e se instalou.

Não disse de onde veio, a sua história, o que fazia por aqui. Ela simplesmente estava aqui e disse que não tinha data pra ir embora. Ela não soube se explicar, não soube ouvir, nem esperar. Ela tomou conta da minha casa, das minhas coisas, de tudo que era meu.

Certo momento, senti que ela me perseguia. Aonde eu ia, ela ia atrás. Era eu olhar pros lados que a via: junto dos meus amigos, dominando os momentos que eram meus. Ela estava sempre presente e eu não a entendia.

Senti, então, que ela começava a fazer parte de mim. Percebi que já a conhecia, mas que fazia um tempo que não a via; ela estava mudada, diferente das outras vezes que a vi.

Aí, me acostumei com ela e com sua presença perto de mim. Desejei que ela nunca fosse embora e ela prometeu ficar! Disse que se sumisse de novo, a culpa seria minha. Ela não teria pra onde ir, mas mesmo assim, poderia me deixar. Ainda assim, prometeu que, se fosse, sempre iria voltar. Fizemos um pacto: eu jamais deixaria ela ir, e ela jamais fugiria de mim.

O nome dela eu levei um tempo pra decifrar. A chamo de Felicidade, mas isso cabe a cada um julgar.

14 de mar. de 2008

Vícios

Meu vício?
Muitos.

Sou viciada na madrugada. No silêncio que ela traz. Na paz e tranqüilidade. Em olhar pela janela e tudo estar escuro, com milhares de luzes coloridas ao longe. Na lua brilhando tão branca, tão linda. No céu estrelado.
E em trocar o dia pela noite.

Viciada em ter poucos momentos de solidão. Viciada na minha casa vazia e um aparelho de som ligado com volume alto. Viciada em parecer uma louca se divertindo tanto em estar sozinha.
Em ter meus momentos de reflexão e não querer ser interrompida por ninguém. Em pensar na vida. E brigar comigo mesma.
Viciada no meu quarto, e em ser egoísta ao não querer dividir este espaço com ninguém que eu mesma não tenha chamado.
Viciada em não tornar eternos esses momentos de solidão.

Sou viciada na boemia e em quem me acompanha. Nas pessoas que ficam mais felizes a noite, e que pulam de bar em bar a procura de diversão, música boa e mais gente feliz.

Sou viciada em pessoas. Uma desculpa para horas em frente ao computador. Sou viciada em tudo que estreita relações com elas. Amigos são a família que a gente escolhe, e eu sou viciada nessa família. Nessas pessoas que compartilham dos meus vícios. Que me fazem rir.
Viciada nos finais de semana que elas me proporcionam. E todos os outros dias mais.

Sou viciada em sorrisos. Em alegria. Diversão. Bom-humor.
Viciada em olhares. Principalmente os que dizem tudo.
Viciada em olhos.

Viciada em viagens com boa(s) companhia(s).

Sou viciada em chocolate. Em palmito.
E em pizza de catupiry.

Viciada em dormir muitas horas.
Em dormir de meias, de vez enquando.
Em dormir abraçadinho com aquele alguém.

Viciada em certos beijos. Principalmente naqueles que me fazem esquecer dos outros. Que me fazem abrir mão de qualquer outro para viciar somente nele.
Viciada em paixões e amores recíprocos. Em sentimentos. E em viver deles.
Em colos, abraços fortes e cafunés. Em carinho, cuidado e atenção. Em companheirismo.
Em filme com brigadeiro e, no inverno, cobertor e chocolate quente.

Viciada no meu passado. Em entender que eu sou o que eu vivi.

Viciada na minha mãe. No meu irmão. E em discordar do meu pai. Mas também sou viciada nele.

Em me fazer lembrar que talvez o amanhã não exista. Que a vida é curta e deve ser vivida.

Sou viciada em não ter nada pra fazer. E atualmente, em arranjar logo algo pra fazer.

Viciada no carnaval de Salvador, em ano novo na praia e no Papai Noel que não pode faltar.

Não sou viciada em álcool, muito menos em cigarro ou qualquer tipo de droga. Meus vícios não fazem mal à minha saúde, nem de mais ninguém.

Uns deixaram de existir, outros novos surgiram, e alguns duram um ou dois dias. Os vícios são reflexos da nossa vida. E a nossa vida muda sempre. Junto com nossos interesses e rotinas.

Meu vício é a felicidade e tudo de que ela depender.

E os seus? Quais são?

13 de mar. de 2008

Minha Primeira Vez

Bom dia! Boa tarde! Boa noite! Eu não sei de que parte do mundo e que horas você lê esse post, mas seja lá qual for (a parte do mundo e a hora), seja bem-vindo (a).

Pra mostrar que não to aqui pra brincar (ou não) e atender às expectativas da minha sócia, deixo um texto meu, escrito em algum momento entre o "tô com sono e não consigo dormir" e o "o sono tá chegando, vou apagar a luz". Mais desses virão. Não espere mais do mesmo, nunca consigo ser igual!


"Eu ponho o pé no chão. É, eu tenho o pé no chão. Sou meio pé na cozinha, sou meio de casa, sou dona da minha casa. A casa está cheia. O ar está pesado e o chão estã gelado. Tá gelado, mas depois de um tempo pisando, ele esquenta.

Eu não me cubro, não camuflo. Eu penso e falo, quase sempre, na mesma velocidade. A velocidade é sempre a mesma. Eu digito as páginas da minha vida tentando manter uma coerência paupável, visível aos olhos da minha alma. Eu não respondo pelos meus atos, eles respondem por mim. Eu não sou feita de histórias, eu as escrevo dentro de mim. E não só pra mim, mas pra quem pode me ler.

Eu não te engano, só não abro todas as caixinhas da verdade que moram dentro de mim. Eu não me mostro por inteiro; a vida é cheia de meias verdades. Mas eu mantenho o pé no chão. Só que liberto a mente vez ou outra, me dando o direito de pensar o que quiser."


Um beijo, um abraço e mantenham seus pés no chão!

Começando a brincadeira

Pois é...é hora de fazer isso aqui funcionar.

Passei um bom tempo pensando em qual seria o intuito deste blog. E a que conclusão cheguei?
...Nenhuma!

Não pela primeira, nem segunda vez na vida, cansei de pensar e resolvi brincar logo.
Ai! Essa ansiedade que me consome. E esse medo de o mundo acabar amanhã. hahaha

Oras...mas isso não tem a ver com um simples blog. Olha minha cabeça já indo mais longe que meus dedos.

Voltando ao blog, como não cheguei à conclusão alguma, provavelmente farei desse blog uma salada de frutas. Eu vou postar o que der vontade.
' Liberdade liberdade, abre as asas sobre nós'...aff! Volta, Vanessa!

Tenho prazer imensurável de contar pra vocês que agora este blog não pertence mais somente a mim. Tenho uma cúmplice para essa salada de frutas..quer dizer...este blog.

Querida, seja bem-vinda ao mundinho do ócio.

Com vocês, Renata Ribeiro.

15 de fev. de 2008

Penso, logo existo.

Este é apenas o início de uma idéia ainda não estruturada.

O Blog se inicia apenas existindo.
Será preenchido assim que eu definir qual será sua real função.
Com certeza não serão textos super-profundos (ou somente eles) que vcs encontrarão aqui. Eu odeio escrever, exceto por raríssimos momentos de inspiração.

A princípio, a única certeza que eu tenho é de este será um refúgio. Diante do ócio e das milhares de ondas de pensamentos vazios quem têm ocupado minha cabeça, precisei arranjar algo que me ocupasse. E espero conseguir tornar este blog algo interessante ou pelo menos produtivo. Algo que me incentive a acrescentar algo a mim mesma, e com sorte, a vcs tb. Nem que apenas alguns minutos de descontração.

Se estiverem ociosos, sejam bem-vindos.

Obrigada por terem vindo.