23 de ago. de 2008

Essa rua não é minha

A rua gritava. O asfalto tremia.
Nessas, o caminho fugiu.
O carro, com a rota enlouquecida, deu a volta no quarteirão e partiu.

O motorista nem pensou.
O caminho foi decidido sem que ele pudesse questionar.
No meio de todo xilique veio a chuva. Lavou a rua, o capô, a calçada e a alma.
Sobrou o silêncio, poeira e um semáforo quebrado, parado no sinal vermelho.

Aí veio o vento que, de tão forte, derrubou a árvore da esquina.
A faixa de pedestres era um tapete de folhas caídas à beira da morte.
E ai, só então, a rua se calou. Sem faixa, sem caminho.

Se sentiu traída pelo tempo, se sentiu fora do mapa.
Se sentiu abandonada pelo caminho que sempre este ali e covardemente fugiu.

13 de ago. de 2008

Play me like a song

Você o vê cantar e o seu coração vai junto no refrão.
Você o vê dançar e seus pés flutuam no balanço da canção.
Você o vê tocar e sua mente viaja por cada acorde, cada melodia, cada som.
Você vê um desenho seu, um texto seu e é um misto de arte e dom.

A beleza? Ela tá lá estampada e só você é que vê.
Os defeitos? Viram harmonia no conjunto da obra e a falta deles o tornaria incompleto.
O andar, o falar, o tocar e o olhar são juntos a máxima da imperfeita perfeição.

A vontade é dominante.
A oportunidade, recessiva.

Não há cura, mas também não há mal. O talento é um afrodisíaco natural.

8 de ago. de 2008

Hoje é sexta! E?

U-hú!
Hoje é SEXTA-FEIRA...chega de canseira!
Eu esperei a semana inteira pelo melhor dia da semana!
Contei cada hora. Cheguei na Segunda pensando “amanhã já é Terça!” e eis que a semana voou!
Hoje eu acordei, tirei o cobertor com a empolgação de ser praticamente final de semana!

Mas aí eu senti frio. E ouvi a chuva. E liguei a TV para descobrir intermináveis quilômetros de congestionamento.
Coloquei minha bota de cano alto como quem se prepara pra ir à guerra. Afinal eu moro em SP e está chovendo. Tem comparação melhor?
Tem sim...o inferno!
Pronto! Lá se foi a sexta-feira maravilhosa.

Fiquei quase uma hora em pé esperando meu fretado. E olhe que eu cheguei em cima da hora, quase correndo e tentando equilibrar minha bolsa grande e meu guarda-chuva cor-de-rosa-mamãe-tô-aqui! (odeio ter q usar guarda-chuva)
Graças a Deus inventaram SMS....Celular vira passa-tempo. (Ai! Minha conta no fim do mês.)
“Meu! Tá um trânsito do caralho! Meu fretado ainda nem passou aqui. Cidade do inferno! Odeio a ZL!”
Já no quentinho do ônibus e com o humor menos ruim, recebi a resposta do engraçadinho:
“Relaxa linda...Curte a sexta chuvosa. To aqui espremido no ponto de ônibus Tb.”

‘Curte a sexta chuvosa?’
Claro que ele diz isso porque namora!
A sexta-feira chuvosa se adéqua perfeitamente ao atual estilo de vida DELE.
Gracinha.
Bem feito que tá espremido no ponto. Eu to aqui no quentinho, pelo menos. E o encosto do meu banco inclina. Há!

Cheguei no trabalho quase 10 hras da manhã e claaaro, com todas minhas tarefas da manhã atrasadas.
Vai...corre retardada! Num quer morar longe?! Agora sofre!
(Pior que não! Não quero. Moro por falta de opção plausível.)

E agora me pego aqui pensando na minha noite genial.
Com essa chuva? Dura do jeito que eu tô?
Eu trocava qualquer balada por um programinha a dois.
(Sim, minha revolta com o rapaz ali de cima era pura dor de cotovelo.)
Trocava qualquer gasto com estacionamento, balada, drinks e engovs por pizza, cinema/locadora, pipoca/brigadeiro e um cobertor bem quentinho pra dois.

São Pedro devia entender a necessidade que um ser ‘solteiro-sozinho’ (*calma!já explico.) tem de uma sexta-feira linda, agradável e com uma programação boêmia agitada sem obstáculos.
*Existem solteiros felizes em estar solteiros e que não se sentem sozinhos. Mas também existem os solteiros que já cansaram da condição e se sentem sozinhos. No primeiro caso, faça chuva ou faça sol, a pessoa se joga. Já no segundo caso (ps.: o meu!), algumas coisas tiram um pouco a disposição. Fora que as ‘nights’ podem ser incomparavelmente sensacionais, mas raramente completas. Ou seja, a chuva só está aí para agravar a crise.

Desculpe, dispersei.
Voltando ao assunto...Afinal, a sexta ainda está chuvosa e fria.

Acho que hoje não haverá aventuras pelos transportes públicos da cidade para chegar a um destino que me levará para uma noite animadoramente (ironia) molhada que me fará pensar na minha cama quentinha, a qual eu não verei, afinal, não terei como voltar pra casa. Amanhã acordarei, o sábado estará chuvoso e eu irei reabrir meu guarda-chuva cor-de-rosa-mamãe-to-aqui para voltar ao meu doce lar.
Não, obrigada.

Hoje é dia de banho quente, chazinho e Globo Repórter. Se é que isso ainda existe.
E quem precisa de cobertor de orelha se tem um ursinho quase Pimpão esquentando o travesseiro?
É...talvez eu precise.

Falta muito pra próxima Sexta?

7 de ago. de 2008

Aos Essenciais.

Vontade de declarar

Ela acordou e diferente de todos os outros dias em que não fala até terminar seu café, ela desejou bom-dia. Abraçou e beijou cada um e ainda lavou a louça.

Ela pegou o telefone e discou seu número. Ligou para dizer que apesar de às vezes parecer difícil e cansativo, tudo vale a pena. Vale por ser mais do que um mero desejo. É um sonho! E sonhos não caem no colo. Precisam ser batalhados e exigem sacrifícios. Mas vai ficar tudo bem. Você vai conseguir. Aproveitou para dizer que te ama. Que vocês são muito diferentes e isso dificulta as coisas muitas vezes. Mas que sabe que vocês nunca duvidaram que esse amor é maior que tudo.

Aí ela foi pra faculdade. Ela já se formou, mas foi mesmo assim. Porque você estaria lá e ela estava com saudade. Ela viu você esses dias, mas ela gosta tanto, que sente falta de quando via mais. Em tão pouco tempo, ela se identificou e quer você presente sempre na vida dela.

Ela também foi até sua casa te encontrar para te agradecer. Agradecer por você fazer parte da vida dela. Por nunca deixá-la sozinha. Por nunca tê-la decepcionado. Por você ter sido uma das melhores coisas que aconteceu. Por sua família tê-la adotado. Ela foi na sua casa porque lá se sente em casa também. E porque precisava te dizer o quanto te ama e o quão importante você é.

Horas depois, passou num boteco. Ela sabia que te encontraria lá. Queria te falar que, inexplicavelmente, você é alguém em quem ela confia desde sempre. Que quando ela está triste ou feliz, tem vontade de ter você por perto. Você é alguém com quem ela curte conversar, que a acrescenta e ela gosta muito de gente assim. Ela acredita e confia na sua fé. Adora seus conselhos, mesmo quando é teimosa e não os segue. Veio dizer que às vezes odeia quando você diz que ela não deve te contar certas coisas. Mas ela sabe também que é verdade. Ela foi pedir pra você nunca desistir dela. E pra dormir na sua casa depois da balada. Aproveita e faz pão de queijo?

Saiu do boteco já trilili, e foi pra balada onde você ia. Quando te viu, correu pra dançar com você. Já chegou fazendo o “culto ao chão”. E depois de umas caipirinhas e tequilas, não perdeu a oportunidade de dizer mais uma vez que é bacana ter você por perto. Que o tempo demorou pra aproximar vocês, mas quando o fez, fez bem feito. Ela adora suas teorias e suas gracinhas. Ela adora a essência que você se tornou aos finais de semana.

Uns dias depois, passou no seu trabalho. Era o único jeito de te encontrar. Quando te viu, não soube mais o que dizer. Simplesmente te cumprimentou. E depois saiu incomodada. Não foi notável suficiente a ponto de você não resistir a qualquer tipo de comentário ou sinal. Foi embora e não fez o que foi fazer. Desta vez, achou melhor não falar com você.

Pegou o celular e mandou um sms contando a novidade boa. Você sempre torce e compartilha tudo com ela. E é recíproco. Independente das brigas, a ligação é forte e suas vibrações sempre positivas. Você respondeu contando de sua felicidade em vê-la feliz. Parabenizou-a e mandou beijos.

Ela fechou o celular e desligou tudo: o computador, a televisão, a luz e seu próprio corpo. Deitou a cabeça no travesseiro e se pôs a pensar em você. Agradeceu a Deus por você fazer parte de seus dias.


08/04/2008

5 de ago. de 2008

Troca, Seu Dotô.

Olhe Seu Dotô,
Pode trocá, faiz favô.
Esse aqui tá é muito mirradinho, todo remendado. Tá bem fraco o coitado.
Quarqué tombinho i pronto. Quebra em pedacinho i fica tooodo dismilingüido.
Pode trocá sim, Seu Dotô.
Pode punhá ôtro no lugá.
Aproveita i põe um mais forte. I menor. É Seu Doto, minor!
Minor pra cabe menos coisa. Quanto menos coisa guardá, mais tempo esse novo vai durá.
Troca sem dó, Seu Dotô.
Porque esse tá é bem cansado de trabaiá. Precisa de descanso i de um poco di paz.
Eu num vô mi arrependê não, Seu Dotô. Tô certo do qui tô ti falando.
Esse aqui já mi deu muita alegria, mas também mi trouxe tristeza pra daná. As coisa boa a gente guarda na cabeça, mais o resto, a gente pode trocá.
Escuita o qui eu tô dizendo, Seu Dotô. Troca i num me faiz tanta pergunta.
Quanto mais o sinhô pergunta, mais ele dói di lembrá.
Eu preciso de um novo. Pra módi podê recomeçá.
Esse aqui já num sabe mais qualé o ritmo certo qui tem qui funcioná. Tem hora qui acelera e pula di alegria. Mais tem hora qui fica vazio e apertadinho.
Por isso qui eu tô falando, seu Dotô.
Troca logo de uma veiz esse meu coração bobo que já perdeu a noção do certo e vivi a discompassá.

4 de ago. de 2008

Se a carapuça não te servir, passe para o próximo.

Se tem uma coisa triste nessa vida, é a burrice.
E se tem uma coisa mais triste ainda, é a pessoa que é burra e vive na sombra do achismo da plena esperteza.

É, o achismo é uma tristeza só. Você vê a pessoa falando, se achando isso e aquilo, e no final das contas, só sobra a ignorância palpável da burrice.
A tal da burrice tá presente nos caracteres transviados que ela escreve, nas palavras tortas que ela pronuncia, nas idéias erradas que ela filosofa, na cretinisses que ela espalha por aí, pelo mundo a fora. E o achismo está em tudo isso quando ela acha que é completamente o contrário: quando acha que tá escrevendo legal, quando acha que tá falando bonito, quando acha que tá pensando direitinho, quando acha que é uma delícia, quando acha, acha, acha e nada é.

Quase que cientificamente - pausa: leia com atenção; parecerá definição de dicionário.
Quase que cientificamente, o achismo desta esperteza se dá quando a pessoa acha que pode fazer e falar o que bem quiser, agir de má fé, inclusive, e sair ilesa, contando vantagem e expondo a sua conquista barata e suja. E o pior: ainda arranja um jeito de convencer a quem se dá o trabalho de ouví-la, que ela fez por merecer, que é digna.
Que dó. Que raiva. Que ânsia.

Agora me fala: é ou não é triste? É, se tem uma coisa triste nessa vida é a burrice.
E se você não conhece alguém assim no seu círculo amplo de convivência, provavelmente é um deles.