30 de ago. de 2010

Louco é o vento

Louco é o vento que se joga no ar, bagunça as folhas caídas ao chão sem pedir licença ou perdão.

Louco é o vento que segura o perfume ao passar, que se segura pra deixar a brisa dançar, que some ao ver o calor do verão chegar.

Louco é o vento que invade cabeça e coração, que bagunça o cabelo dessa e daquela menina não, que passa varrendo lembranças, memória e solidão .

Louco é o vento que se isola no deserto, que não deixa a calmaria chegar nem perto, que leva pra longe a nuvem de tempestade – esperto.

Louco é o vento.

12 de ago. de 2010

Feitos da madrugada

Cai a noite, a temperatura, a chuva, o bêbado e o ponteiro. De madrugada a gente já não sabe a cor dos gatos; se procuramos o sono ou se é ele que encontra a gente.

Nessas horas, a ideia de organizar ideias parece boa, até que você passa a ter ideia de que sua melhor ideia é parar de organizar ideias. De madrugada a gente pira um pouco – pouco, a ponto de não pirar por inteiro.

Roteiro de viagem, de filme, de férias, de compras, de visitas. Tudo que a gente faz na madrugada é enfileirar vontades, provavelmente contra sua vontade.

Sobe o sol, o termômetro, o carteiro e a porta da padaria. Ao amanhecer o que era noite vira dia. Raios de sol cegam quem sobe a avenida e as ideias, sonhos e vontades hibernam até que o preto cubra o céu escarlate e traga de novo a madrugada fria.