29 de mai. de 2009

Porta-saudades

E lá onde a terra é a areia
E traz a energia,
Onde o sol recebe a lua
E deseja-a um bom dia

Por lá, onde o infinito chega logo,
O vento passa e nem entorta
O coqueiro alto que, debaixo, quase esbarra no céu.
É por ali que se sente a vida mesmo, assim como ela é.

Num encontro eterno e perfeito do doce e salgado
Se acompanha o desejo que alguns têm
De nunca mais voltar
Mesmo com dia e hora pra dizer até e se desapegar.

Por alguns caminhos vai te encontrar com água
E nela o sal, as pedras, as pessoas e almas de Iemanjá.
De noite, o céu se forra de estrelas,
Algumas parecem poeira de diamante
Que só se prestam a brilhar.
Já outras caem de um lado para outro,
Como dois velhos a se embriagar.

Num bar, a sandália topa num pé descalço e ribeiro
Ou num chinelo de dedo,
Mas nem te esquenta que num giro já te botam pra lá
E logo vais a afirmar
Que o dinheiro só serve para, de graça,
Aprendemos a viver e a sonhar e a pensar
Que se pode sempre comprar passagens rumo à felicidade,
Daquelas polvilhadas com um punhado de paz.
Daquelas repletas de poucas coisas.
Do suficiente para sorrir.
Do eterno para amar.
Do bonito de se olhar.
Do bastante para se encantar.