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23 de jan. de 2013

Santa luz, presente de paz.


Quando as luzes se apagaram, eu fechei os olhos. 
As velas estavam ao meu alcance, mas tive medo de mexer com fogo. Então os fechei.
Fechei porque não quis ver. Fechei pra me adaptar à escuridão, esperando na aflição encontrar a calma. 
E em algum momento, enquanto o escuro persistia ao tempo, na maior boa vontade e sem perceber o breu, com uma pequena lamparina acesa, você me chamou. Pensei em abrir os olhos e encarar a luz...mas logo desisti. Dava medo de ofuscar a retina.
Então os mantive fechados enquanto o tempo passava...até cansar. E quando cansei...os abri.

Cautelosamente, um de cada vez. Bem devagar...me acostumando aos poucos.
Quando ainda estava com o primeiro olho entreaberto, te percebi logo ali. 
Sorrindo de longe, na distância que eu te impedi de aproximar.
Meio descrente, sem expectativas ou certezas, mas bem ali.
Santa paciência...santa persistência. Santa delicadeza e receptividade. 
Sem perguntas, sua mão se estendeu. 

Foi fácil abrir os olhos assim.
As duas pupilas bem abertas e um caminho inteiro pela frente. E você ali...
Eu podia ficar parada ou podia dar o primeiro passo. 
Segui. Seguimos. 
Santa decisão.

Os medos, a luz, o desconhecido, as feridas e inseguranças....tudo presente. 
Mas ao pegar na sua mão....santa paz.

Tudo deixado de lado. Tudo pra dar errado...tudo dando certo. 
Sem ânsias, sem motivos pra não ir. Sem receios, sem planos.
Carinho demais. Sorrisos, beijos e abraços. Paixão demais. 
Tudo dando certo. A luz acesa. Santa paz. 
Santa essa surpresa que te trouxe até aqui. 
Santo presente, você. :)

25 de nov. de 2010

Quem sabe...?

Quem sabe um dia eu acerto,
Quem sabe escolho o caminho reto,
Quem sabe agrado a todo mundo,
Quem sabe viverei em paz sem buscar perfeição?

Quem sabe um dia eu ganho na loteria,
Quem sabe eu recebo uma promoção,
Quem sabe caso com um rico,
Quem sabe enriqueço de pura alegria?

Quem sabe um dia enlouqueço de vez,
Quem sabe um dia entro em pânico,
Quem sabe dou tilt e infarto,
Quem sabe um dia aprendo a ir com calma?

Quem sabe um dia viajo sem volta,
Quem sabe vivo de cantar, atuar ou desenhar,
Quem sabe sobrevivo de hobbys e abraços,
Quem sabe um dia me entrego a tudo que me dá prazer?

Quem sabe um dia a gente se encontra,
Quem sabe um dia dá certo,
Quem sabe te esqueço,
Quem sabe um dia eu morro de amor?

Quem sabe?....Quem sabe?

Quer saber?
...Eu não!

8 de set. de 2010

Esperto o tempo

Danado esse tempo.
Me distrai em contratempo,
E se põe a acelerar.
Espera tempo!
Anda mais devagar.
Se passa desse jeito,
não consigo acompanhar.
Saudades bandidas.
Arrependimentos incontidos.
Você pode olhar pra trás.
Mas alcançar, jamais.

Se o que já foi não volta mais, almejo esperanças imortais.
Anda tempo, acelera e me faz esquecer.
Muda tudo pela frente antes de eu enlouquecer.
Ora, ponteiro, mata essa curiosidade.
Que caminho me reserva para a tal felicidade?
Corre tempo, acaba com a ânsia e o marasmo.
Traga oportunidades e um tanto de entusiasmo.
Toda a frente é obscura, mas não me assusta a criatura.
Tempo, seu safado. Agora que tenho pressa, você passa é arrastado.

Diante de toda essa bagunça agora,
percebo que sou eu quem me sabota toda hora.
Culpá-lo é uma bobagem. Ele não faria tanta sacanagem.
Se é amigo ou inimigo, só depende do que trago comigo.
Esperto o tal do tempo.
Vive a tiquetaquear, enquanto eu é quem faço plantar.
O que passou me ensinou e me fez quem eu sou.
O que vou colher? Quando vou morrer? O que vai acontecer?
...Não me tire o foco! O agora é só viver.

17 de jun. de 2010

Enquanto vivi

Cada vírgula do meu dia faz lembrar-me de ti.
Embora nenhuma lembrança tua faça parte de qualquer uma delas.

Dormias com teu corpo encaixado ao meu.
Enquanto eu, acordada, permitia meu corpo ser fagocitado pelo teu.
Fui metade enquanto em ti havia um.
Fui nós por nós dois.

Me entreguei enquanto te protegias.
Me apaixonei enquanto gostavas de mim.
Te amei enquanto me adoravas.

Te dediquei em silêncio ao menos uma frase de todas as músicas que ouvi.
Fiz isso à distância, enquanto te afastavas de mim.

Hoje sei que não vivi tudo que vi.
E que tudo que vivi, não vi.
Fantasiei porque acreditei.
E por isso, sim: Permiti, fui, dediquei, senti...
Com ou sem ti, enquanto isso, eu vivi.

*20/05/2010

9 de mai. de 2010

Sinto (que) falta

Sinto tanta falta.
Falta de seus beijos, abraços, presença, perfume...do seu sorriso.

Sinto falta das noites terminadas em encontros e dos domingos de preguiça compartilhada.
Muita falta das ligações inesperadas e dos jantares marcados de repente durante a semana pra matar saudade. Falta de provocar saudade.
Quanta falta me faz receber aqueles smss de madrugada dizendo pensar em nós.
Falta dos e-mails de assunto inventado e das músicas dedicadas a mim.
Falta as surpresas planejadas pra me fazer sorrir.

Também faz falta ter seu colo quando as coisas se complicam e seu aconchego que me garante que vai ficar tudo bem. Falta ver sua preocupação e empenho em me animar.
Sem falar nos botecos e cervejas pra comemorar todas as conquistas suas ou minhas.

O seu jeito de me olhar e elogiar e de dizer a coisa certa quando eu (não) preciso ouvir.
Sinto falta daquela viagem, dos passeios e das fotos. Falta as risadas.

Quanta falta me faz dividirmos as coisas.
A companhia nas festas de família ou nos bares com os amigos. Falta de achar tudo mais divertido com você.
Falta seus convites e sua companhia.

Falta de ter você aqui.
Falta...falta muito! Falta tudo que nunca tive de você.
Na minha vida, falta ter você.

30 de mar. de 2010

Pode vir

Vem! Dá a mão! Você não vai cair.

Eu sei, é alto. Mas não olha lá pra baixo, não. Nem pra trás. Vem! Eu te ajudo.

Tem razão, você não pode pisar ali. Mas vem por aqui que eu te ensino o caminho.

Não, o monstro não vai te pegar! Não precisa ter medo. Eu te protejo.

Agora se joga aqui. Pode pular! Eu te seguro. Vem!

Viu? É mais fácil do que parece. Não é?

Ei! Onde você foi? Alô! Você tá aí?

Ufa! Onde você se meteu? Não sai mais de perto de mim! Eu fico preocupada. Levei um susto.

Barulho? Que barulho?

Ah! Esse barulho! É meu coração. Ele tá batendo forte só de pensar que eu pudesse ter te perdido aqui.

Pronto...passou. Você tá com medo ainda? Não precisa. Estamos aqui juntos de novo.

É...ali na frente é escuro. Assusta por que a gente não sabe o que tem lá. Mas pode vir. Vou te mostrar que não tem nada demais. Eu estou com você, pode vir. Confie em mim!

Eu? Não. Eu também não conheço direito esse lugar, mas a gente pode descobrir junto.

Vem! Dá a mão! Você não vai cair. Eu estou aqui.

18 de mar. de 2010

Caminho Contrário

Quando a faculdade terminou, você pegou DP pra ficar mais 6 meses.

Quando sua namorada de anos falou em morar junto, você terminou com ela.

Quando seus amigos chamaram pr’aquela “pelada”, você preferiu ver seu time na TV com uma “breja” na mão.

Quando um velho colega de trabalho te ofereceu um emprego mais interessante pra ganhar a mesma coisa, você não foi por medo de arriscar.

Quando sua mãe se foi, você passou dias com fome, meses com comida congelada e anos gastando milhares em restaurantes caseiros. Seu colarinho nunca mais foi o mesmo.

Quando os amigos mandaram os convites de casamento você levou coleiras de presente.
No batizado dos filhos deles você cantou todas as primas loiras da família.
Nos finais de semana ligou para eles pra jogar sinuca. Eles não podiam, era dia de levar as crianças pra passear. Desistiu desses ‘manés’.

Quando tirou férias não viajou por falta de companhia... e dinheiro.

Os anos se passaram e você se sentiu entediado e só.

Arrumou uma namorada 20 anos mais nova.
Ela te deixou 2 meses depois. Você estava velho demais pra ela. De idade, idéias, cabelos brancos, disposição...de espírito.

Entregou-se primeiro à pequena aposentadoria de pijamas. Depois à depressão. Perguntou inúmeras vezes a Deus o porquê de ter sido o escolhido para viver uma vida tão vazia.

Certo dia pensou ter ouvido sua consciência dizer:

- Quando o tempo gritou, você correu em sentido contrário.
Quando as mudanças apareceram, você insistiu em fazer tudo igual.
Eu te abri todas as portas e mostrei todos os caminhos. Você os ignorou.

- Deus?

Morreu cedo.
De tristeza e solidão.

22 de fev. de 2010

7h52.

Todos os dias o despertador toca às 7h00.
Aurora se levanta às 7h02, mas hoje teve preguiça, levantou às 7h06.
Diante do espelho do banheiro, lavou o creme facial noturno e desenrolou os bobs do cabelo.
Apesar dos baby-liss da vida, Aurora ainda prefere os bobs à moda antiga. Costuma dizer que assim os cachos ficam mais soltos e naturais.
Escovou os dentes e começou a se maquiar.
Base, pó, blush, delineador, rímel e gloss cor de boca. Bem simples, leve e natural.
Cabelo e maquiagem prontos, passou seu perfume francês e voltou ao quarto.
Diante do guarda-roupas aberto, escolheu o melhor modelo para a ocasião.
Vermelha, decotada, rendada, longa e as costas abertas. De seda, claro. Trocou seu pijama cor-de-rosa de coraçõezinhos pela melhor camisola com hobby combinando.
Hoje Aurora acordou inspirada.


Aurora preparou um café, e cortou um pedaço de bolo.
Como de costume, às 7h55 estava debruçada à janela para tomar seu café mirando o outro lado da rua.


7h57 lá vem ele.
Roberto, pontualmente atrasado e caminhando apressado.
Vem sempre tão elegante de terno e gravata, carregando sua pasta de couro e enfiando o celular no bolso.
Franzindo a testa, nitidamente preocupado com a hora, atravessa a rua, mas nunca deixa de abrir seu belo sorriso de dentes brancos e perfeitos e fazer brilhar seus verdes olhos ao lhe desejar:
“Bom dia, Aurora!”
“Bom dia, Roberto...”


E, tentando sobressaltar sua voz em meio a batidas tão fortes que seu coração insistia em disritimar, hoje arriscou um algo mais:
“...e bom trabalho!”


Roberto, mesmo atrasado, parou por um segundo, virou-se, agradeceu sorrindo e partiu.


Aurora ganhou seu dia.
Seu estômago eufórico desistiu do bolo.
Levou os restos para a cozinha, voltou ao quarto, vestiu novamente seu pijama de corações e voltou a dormir.
Ou pelo menos tentou, tanto quanto seu coração extasiado permitiu.


Aurora não trabalha.
Aurora vive de uma pequena, porém suficiente, herança.
Vive de herança e de amor.


Mas Aurora, em sua espera ansiosa por Roberto, nunca percebeu.
Nunca notou que, do mesmo lado da rua em que Roberto surge, encostado a um poste pichado há sempre um homem a observá-la.
Tão linda envolta em seu hobby, vive desviando com as mãos os fios de cabelo que a brisa da manhã gosta de enroscar em seus lábios.
Todos os dias, às 7h52, eu chego ao poste, e fico a aguardar o momento de minha bela Aurora nascer como um sol na janela.
Ah, Aurora....
Um dia eu vou criar coragem para atravessar a rua, te desejar bom dia e torcer para que você também espere que eu tenha um belo dia de trabalho.


Ah, Aurora!

6 de out. de 2009

Uma carta pra você

Se eu fosse te escrever uma carta, seria pra dizer o quanto gosto de você. Falaria sobre seu sorriso, seu jeitinho, seu carinho e seu humor. Sobre seu beijo, seu abraço, seu colo e principalmente seu olhar que me diz tanto. Sua dificuldade com palavras, seu jeito de dizer sem jeito coisas bonitas que fazem ‘aquele dia’ ter valido a pena.

Se eu resolvesse escrever uma carta, seria para falar tudo que me irrita em você. Para reclamar do seu descaso, da sua ausência e mais que tudo, desse espaço físico e temporal que você provoca entre nós. Do seu jeito sem jeito de dizer poucas coisas que procuram justificar seus atos (ou falta deles) e que me convencem, mas que não acarretam nenhum tipo de sustentação. São apenas palavras.

Se eu realmente te escrevesse uma carta, seria para te mostrar que pode ficar tudo bem. Que o que passou, está perdido no passado e guardado nas lembranças. Que muitos momentos, felizes e não, fizeram parte das nossas vidas e nos transformaram no que somos, mas não estão fazendo parte do nosso presente. Que a vida está aí pra ser vivida e não temida. Que sempre chega a hora de mudar, e principalmente, de arriscar. Que medos existem para serem enfrentados. E que cada fase de nossa vida é singular e traz diversas surpresas e novas lições.

Se eu pudesse escrever uma carta, assumiria meu cansaço. Meu desgaste. Minha decepção. Minha fraqueza. Contaria sobre como nada parecia ser por acaso. Mas de repente, muito tempo se passou, e nada mudou. Algumas coisas se repetiram. Muitas vezes acreditei que pudesse ser diferente, mas como eu disse: nada mudou. Falaria sobre o quanto você me frustra a todo momento.

Se eu quisesse escrever essa carta, eu tentaria explicar o porque de tanta teimosia. O motivo pelo qual você não sai da minha cabeça. Talvez eu me confundisse no decorrer dela e escrevesse a carta para mim mesma. Tentando me convencer a não desistir, sem mesmo saber o por quê. Talvez eu percebesse que não existem motivos para insistir, e descobrisse que é melhor pra mim deixar isso tudo de lado e admitir que não era o que eu pensava. Eu estive errada esse tempo todo.
Talvez eu invertesse tudo e tentasse te convencer que você quer tanto quanto eu.

Se eu fosse te escrever uma carta, eu não saberia por onde começar. Nem exatamente o que dizer.
Por isso nunca levei a sério a idéia de te escrever.

04/2008

12 de jul. de 2009

Fria inspiração

Inverno inspira filme, pipoca e cobertor.
Quatro pés enroscados e braços entrelaçados.
Corpos encaixados, suspiros no ouvido, cabeça no ombro e aquele beijo no pescoço.
Pede vinho.
Inspira o calor.
Calor de mãos escorrendo nas curvas e coxas intercaladas. Inspira corpo sobre corpo. Inspira abraço, amasso e cansaço.
Beijo na boca.
Dispensa os moletons e cobertores. Inspira o calor da sua pele na pele do outro.
Dois corações acelerando e pupilas dilatando. Corpos e almas aquecidos.
Inspira amor.

O inverno sempre vem.
Bate na janela em forma de vento e chuva e torna os dias mais sonsos e as noites apagadas, escondendo as estrelas do céu.
O frio esconde a lua. Esconde o sol.
Camufla a alegria na tristeza dos dias cinzentos tão preguiçosos.

O inverno esfria o corpo e aquece o coração.
Inspira até quem se acompanha de si mesmo.
A vista da janela. As luzes ao longe em meio à escuridão da noite.
As fotos, as lembranças, as lágrimas e os sorrisos.
O inverno inspira. O frio inspira.
Inspira todo e qualquer ser que tenha capacidade de sentir, viver e...se inspirar.

Bom inverno, seja lá quem for a sua companhia.


** Quebrando um pouco a rotina deste blog, faço uma indicação!
Escrevendo meu texto, lembrei de um outro de um amigo querido que devia escrever mais em seu blog.
Segue o link e meu agradecimento ao Nego que, mesmo sem intenção, uma vez na vida, falou minha língua...e cá está:
"Aos sentimentais.".

27 de fev. de 2009

Sensações


Lembra.
Lembra de quem se foi.
Lembra do que era, e já não é. Simplesmente mudou.
Lembra daquela festa ou viagem que pouco durou.

Fecha os olhos.
Sente a brisa ouve os pássaros e as folhas das árvores.
Sente o gosto do bolo de fubá da vovó, ou do chiclete de canela que aquela amiga distante sempre tinha na bolsa.
Sente o perfume de quem um dia te fez feliz como você jamais pensou poder ser.

Agora abre.
Abre e olha do lado. Olha no brilho do olho daquele que te olha.
Olha bem fundo do espelho da alma de quem te faz falta e há tempos (ou não tanto tempo assim) você não via.
Abre, olha e registra.
Os cabelos, o sorriso, o lugar, os sons, as sensações...valorize qualquer detalhe.

Abraça.
Abraça forte.
Abraça como se fosse a última vez. E abraça assim forte todas as vezes que puder abraçar.
Abraça de novo e comemore a felicidade de nunca ter sido, realmente, a última vez.

Diga.
Diga o que sente.
Diga o que vê.
Diga o que quiser dizer.

Pisca.
Pisca de novo.
Fecha os olhos.
Agora abre.
Olha em volta...não há nada nem ninguém.

Sensação de vazio.
Sensação de alegria.
Sensação traiçoeira, de impotência e de ansiedade, que preenche e que prorroga.
Todas sensações derivadas de um só sentimento.


Um só sentimento de Saudade.

4 de dez. de 2008

Lado a lado

Enquanto você caminhava, tudo acontecia.
Você chorou, pensou, sorriu.
Você precisou de espaço.
Depois de companhia.
E eu?....eu estava ali do lado. O tempo todo.
Mesmo quando você não viu.

2 de dez. de 2008

Súbito

Às vezes ele sentia falta.
Ela sempre sentia falta.
Não era mais o mesmo sentimento. Era apenas saudade. Era questão de pele somada às lembranças de um tempo bom.
Ele não estava só.
Ela estava às vezes. Muitas vezes...não muito diferente de quando era com ele.
Eles jamais se esqueciam.
O tempo todo era carinho, respeito, preocupação. Puro e eterno querer bem.
De vez enquando era mais que isso. Muito mais.
Inexplicavelmente súbito. Inexplicavelmente indesviável.
Absurdamente descontrolado e dois minutos depois, irreconhecível.
Eles mudavam. Agiam como se nada nunca tivesse terminado.
Inexplicável.
Não inventaram termos ou denominações de sentimentos concretos que explicassem aquela reação química. Mas desde quando sentimentos são concretos, ou explicáveis?
Nada daquilo era certo. Mas desde quando o caminho certo é sempre o mais gostoso?
Se perdiam no tempo e no espaço. Não existia mais ninguém, além deles.
Eles jamais contariam ou admitiriam.
Um boa noite, um bom dia.
E como se nada tivesse acontecido, tudo volta ao normal.
Fim mais uma vez.

15 de nov. de 2008

Ao Trio Nosso, Amém.


Trio nosso que estais presente,
Santificada seja a vossa companhia.
Venha a nós na 'bohemia'.
Seja feita a sua vontade, que é a mesma que a dela e a mesma que minha.
Os momentos nossos de cada dia, nos dai hoje.
Perdoai os nossos excessos
Assim como nós perdoamos as moscas mortas que tentam atrapalhar nossa vida.
E não nos deixeis cair na pista.
Livrai-nos do mal e do tédio.
Amém.

2 de nov. de 2008

Vírus


Palpitação.
Respiração curta.

Calafrios.
Suor nas mãos.
Mal-estar.
Adrenalina alterada.
Raciocínio prejudicado pela fraqueza.
Temperatura interna de 39°C.
(Destes, 36°C concentrados na face ruborizada)
Só querer ficar na cama com a cara enfiada no travesseiro.
Tosse e gagueira provocadas por engasgue.
Dores de barriga.
Vontade de morrer, sumir ou sair correndo para não sentir mais isso tudo.

Sintomas de virose?
Só se meu vírus for você.

5 de out. de 2008

Entre caminhos, músicas e você, eu tento brincar de viver.

Eu não sei brincar.
Fui viver minha vida.
No meio do caminho, percebi que tinha errado alguma entrada.
Senti necessidade de te dizer que me perdi de você ao errar alguma rua ali atrás. Eu disse.
Disse desatando nós com palavras. Com o pulsar agitado do meu coração apertado pulsando nos dedos ao digitar. Disse. De forma distante, mas disse.
Depois ouvi. Ouvi com os ouvidos e com os olhos. Com a mente limpa e a consciência tranquila. Ouvi muito próximo. Mais do que eu esperava ouvir.
Ouvi, e gostei do que ouvi.
Disse mais. Disse o que talvez não devesse dizer....se eu ouvisse minha razão. Mas ela é ainda mais rouca que minha própria voz. O coração é um surdo que vibra no bater ritmado por suas mãos. E bate mais alto. Se faz ouvir.
Talvez ele também não saiba brincar.
Mas quando disse, sem dever dizer, eu não ouvi mais nada. Melhor...eu senti. Muito perto.
Tudo podia estar perdido a partir dali.
Mas o coração aprendeu a manter um certo ritmo. Menos descontrolado talvez do que era antes.
Ele aprendeu a bater no seu gingado. E ali naquele fim de noite, pode sorrir .
E meu sorriso também o acompanhou enquanto meus olhos acompanhavam os seus.
O sol nasceu espelhado na sua íris. Eu vi.
O azul claro predominou no céu.
Continuei vivendo minha vida.
Na continuação do meu caminho, cruzei novamente o seu. Mas havia uma pedra inesperada.
Eu não vi, e tropecei.
O coração perdeu o ritmo. Trocou de melodia. Esqueceu do gingado. Bateu com desarmonia.
E música ruim é como praga. Parece que gruda na cabeça.
Parei no meio do caminho e o deixei reger aquela canção. Por algumas horas.
Até ele voltar ao compasso vital. Aquele que não é nem mais, nem menos. Apenas o necessário.
Música ambiente.
Daquele ponto, continuei.
Continuei de novo vivendo minha vida.
Não aprendi a brincar.
Nem meu coração a tocar.
Não sei qual a próxima canção. Nem a próxima curva ou pedra.
Só quero continuar...
Estou vivendo.

3 de out. de 2008

Agora sim: Sexta-Feira Feliz!!

O despertador toca.
No celular, um sms. Alguém que comemora “enfim...hj é Sexta!”!
O sol está lá fora tentando entrar pelas frestas da janela! Abre! Deixa entrar!
Coloca o All Star, hoje é dia de estar a vontade. É dia de ser feliz.
Vai pra rua e tira o casaco...Finalmente, o frio foi embora!
O trânsito está horrível. Que delícia dormir no ônibus e sonhar.
Chegar ao trabalho e perceber que todos estão tão bem humorados quanto você, é algo que acontece uma vez a cada milhões de anos.
Uau! Hoje é Sexta. E ela está sorrindo pra mim.
E o melhor? É que está só começando...

23 de set. de 2008

Duas em uma

*
Acorda às 6h da manhã, levanta da cama como um zumbi e se arruma pra trabalhar.
**
Às 6h da manhã, entra no quarto com o corpo cansado, parecendo um zumbi. Põe o pijama e nem lembra como deitou porque já estava a dormir.
*
Às 10h já tem reunião. Pega o caderno, pega a caneta, imprime planilha, confere o local, põe o celular no vibra e corre pra sala onde todos já estão.
**
Às 10h sonha algo bom. Acorda e sorri. Ajeita o travesseiro e volta a dormir.
*
12h, finalmente! Hora de almoçar. Coloca o casaco, pega o dinheiro, junta os colegas e comenta sobre o prato do dia.

**
Às 12h acorda, olha no relógio...e volta a dormir.
*
15h e a barriga volta a roncar. Hora do lanche da tarde. Larga a correria que o cronograma já previa e vai tomar um café e comer pão de queijo.
**
15h acorda torta de tanto dormir. Levanta e vai tomar seu Nescau. Volta pro quarto e, ainda de pijama, liga a TV. Nada interessante...mas a preguiça de procurar um canal é maior.
*
15h10...de volta à correria.
**
15h30 abre a janela e liga o computador. Entra no Orkut, no Messenger, desliga a TV, liga o som, e continua de pijama.
*
17h – Que hora mais feliz. Agora falta uma!
**
17h – Havaianas encaixada na meia entre os dedos, e vai pra cozinha ‘almoçar’.
*
Às 17h55 salva o arquivo, olha o e-mail pela última vez, confere as pendências do dia seguinte. Começa a recolher suas coisas, desligar o computador. Já são 18h! Ufa! Hora de ir pra casa.
**
Às 18h ainda tem preguiça até mesmo de existir.
*
19h e ainda está presa no trânsito.
**
19h é hora de começar a pensar o que será da sua noite.
*
20h e pouco chega em casa! Ufa! Novamente. Daqui pra frente: Comer, tomar banho, colocar pijama, ligar o som ou a TV, conferir Orkut, conversar no MSN.
**
20h30 já sabe pra onde ir e quem busca quem aonde. Hora do banho.
21h30 O cabelo está seco e está provando o guarda-roupa inteiro.
22h00 Entra no site do local. Confere o endereço, pega o guia de ruas e aprende o caminho.
22h30 Troca de bolsa. Pega o necessário. Não esquece o celular, dinheiro, documento, batom. Ah...nem o chiclete!
22h40 vai se maquiar e perfumar.
23h Sai de casa.
*
23h30 já é tarde, mas enrola mais um pouco.
24h Agora chega...hora de dormir! Desliga o computador, escova o dente, ajusta os despertadores (um não é suficiente), o sleep da TV, apaga a luz, deita e dorme.
**
24h encontra as amigas e pega o rumo da balada.
24h30 chega ao local.
1h está com a latinha na mão.
2h está rindo do cara que dança esquisito.
2h10 está falando mal do comprimento da saia daquela loira zuada.
3h começa o show.
4h está se acabando de tanto dançar.
5h acaba o show.
5h30 vai embora.
*
6h o despertador toca. Vai começar a agitação do dia. Levanta da cama como um zumbi e se arruma pra trabalhar.
**
Depois da noite agitada, às 6h Chega em casa. Entra no quarto com o corpo cansado, parecendo um zumbi. Põe o pijama e nem lembra como deitou porque já estava a dormir.

É uma única pessoa. Mas * espera a semana inteira para chegar o fim de semana e ser **.

9 de set. de 2008

Continuando a onda do Manual...

O prazer pode ser seu.

Oi! Você não me conhece, por isso vim me apresentar.
Na verdade sou diferente de muitas que você já encontrou por aí.
Sou tão especial quanto todo mundo é. Mas também não sou tão indiferente assim.
Você tem o direito de tentar certas coisas. E eu tenho o mesmo direito de aceitar ou recusar.
Se você espera de mim uma balada boa, um sorriso iluminado, um monte de risadas, um olhar, um carinho, um beijo bom, uma saideira em um motel...talvez eu te dê tudo isso um dia. Mas você vai ter que merecer.
Eu não sou nada difícil, mas tenho o meu tempo que precisa de respeito.
Conquiste minha confiança, e desperte um pequeno gesto íntimo por dia, mesmo que seja simplesmente olhar no fundo do meu olho, e sorrir.
Se você pretende me entender, vai ter que se esforçar! E ter muita paciência. E tempo.
Irei te proporcionar pequenos, grandes, inesquecíveis e deliciosos momentos. Mas não tenha pressa. E não pise na bola.
Eu preciso de atenção. Preciso de confete. Preciso de piadas, colo, de cuidados e de cuidar. De bom-humor, compreensão, e mais uma vez, paciência. E de exclusividade.
Se eu mal te conheço, você faz o que quiser nas minhas costas, mas quando estiver comigo, ‘esteja comigo’.
Se provocar, me beije! Me pegue de surpresa. Mas não demora, pra eu não achar que você não está fazendo mais que a sua obrigação.
As programações são as melhores. O pique quase interminável. E a disponibilidade....grande sempre que possível.
Se você me beijar naquela música, grave-a, porque de certo eu vou lembrar!
Se você tem outra, não demore a escolher. Porque logo eu vou descobrir.
Se você tiver os mesmos gostos que eu, ponto pra você.
Se você não quiser nada com nada, beijo-tchau.
Se quiser fazer valer a pena, vem comigo. Eu te explico no caminho.

8 de ago. de 2008

Hoje é sexta! E?

U-hú!
Hoje é SEXTA-FEIRA...chega de canseira!
Eu esperei a semana inteira pelo melhor dia da semana!
Contei cada hora. Cheguei na Segunda pensando “amanhã já é Terça!” e eis que a semana voou!
Hoje eu acordei, tirei o cobertor com a empolgação de ser praticamente final de semana!

Mas aí eu senti frio. E ouvi a chuva. E liguei a TV para descobrir intermináveis quilômetros de congestionamento.
Coloquei minha bota de cano alto como quem se prepara pra ir à guerra. Afinal eu moro em SP e está chovendo. Tem comparação melhor?
Tem sim...o inferno!
Pronto! Lá se foi a sexta-feira maravilhosa.

Fiquei quase uma hora em pé esperando meu fretado. E olhe que eu cheguei em cima da hora, quase correndo e tentando equilibrar minha bolsa grande e meu guarda-chuva cor-de-rosa-mamãe-tô-aqui! (odeio ter q usar guarda-chuva)
Graças a Deus inventaram SMS....Celular vira passa-tempo. (Ai! Minha conta no fim do mês.)
“Meu! Tá um trânsito do caralho! Meu fretado ainda nem passou aqui. Cidade do inferno! Odeio a ZL!”
Já no quentinho do ônibus e com o humor menos ruim, recebi a resposta do engraçadinho:
“Relaxa linda...Curte a sexta chuvosa. To aqui espremido no ponto de ônibus Tb.”

‘Curte a sexta chuvosa?’
Claro que ele diz isso porque namora!
A sexta-feira chuvosa se adéqua perfeitamente ao atual estilo de vida DELE.
Gracinha.
Bem feito que tá espremido no ponto. Eu to aqui no quentinho, pelo menos. E o encosto do meu banco inclina. Há!

Cheguei no trabalho quase 10 hras da manhã e claaaro, com todas minhas tarefas da manhã atrasadas.
Vai...corre retardada! Num quer morar longe?! Agora sofre!
(Pior que não! Não quero. Moro por falta de opção plausível.)

E agora me pego aqui pensando na minha noite genial.
Com essa chuva? Dura do jeito que eu tô?
Eu trocava qualquer balada por um programinha a dois.
(Sim, minha revolta com o rapaz ali de cima era pura dor de cotovelo.)
Trocava qualquer gasto com estacionamento, balada, drinks e engovs por pizza, cinema/locadora, pipoca/brigadeiro e um cobertor bem quentinho pra dois.

São Pedro devia entender a necessidade que um ser ‘solteiro-sozinho’ (*calma!já explico.) tem de uma sexta-feira linda, agradável e com uma programação boêmia agitada sem obstáculos.
*Existem solteiros felizes em estar solteiros e que não se sentem sozinhos. Mas também existem os solteiros que já cansaram da condição e se sentem sozinhos. No primeiro caso, faça chuva ou faça sol, a pessoa se joga. Já no segundo caso (ps.: o meu!), algumas coisas tiram um pouco a disposição. Fora que as ‘nights’ podem ser incomparavelmente sensacionais, mas raramente completas. Ou seja, a chuva só está aí para agravar a crise.

Desculpe, dispersei.
Voltando ao assunto...Afinal, a sexta ainda está chuvosa e fria.

Acho que hoje não haverá aventuras pelos transportes públicos da cidade para chegar a um destino que me levará para uma noite animadoramente (ironia) molhada que me fará pensar na minha cama quentinha, a qual eu não verei, afinal, não terei como voltar pra casa. Amanhã acordarei, o sábado estará chuvoso e eu irei reabrir meu guarda-chuva cor-de-rosa-mamãe-to-aqui para voltar ao meu doce lar.
Não, obrigada.

Hoje é dia de banho quente, chazinho e Globo Repórter. Se é que isso ainda existe.
E quem precisa de cobertor de orelha se tem um ursinho quase Pimpão esquentando o travesseiro?
É...talvez eu precise.

Falta muito pra próxima Sexta?