17 de jun. de 2010

Enquanto vivi

Cada vírgula do meu dia faz lembrar-me de ti.
Embora nenhuma lembrança tua faça parte de qualquer uma delas.

Dormias com teu corpo encaixado ao meu.
Enquanto eu, acordada, permitia meu corpo ser fagocitado pelo teu.
Fui metade enquanto em ti havia um.
Fui nós por nós dois.

Me entreguei enquanto te protegias.
Me apaixonei enquanto gostavas de mim.
Te amei enquanto me adoravas.

Te dediquei em silêncio ao menos uma frase de todas as músicas que ouvi.
Fiz isso à distância, enquanto te afastavas de mim.

Hoje sei que não vivi tudo que vi.
E que tudo que vivi, não vi.
Fantasiei porque acreditei.
E por isso, sim: Permiti, fui, dediquei, senti...
Com ou sem ti, enquanto isso, eu vivi.

*20/05/2010

3 comentários:

Renata Ribeiro disse...

quanta consciência, quanta lucidez.

lindo, van!

Daniela Feoli disse...

hmmm... snif...
acho que quero chorar...
:'(
lindo! lindo!

André Finhana disse...

Linda reflexão e, acima de tudo, uma linda análise ou auto-análise, talvez.
O mais legal desse texto é que a primeira pessoa que o narra é universal e todos podem se apoderar dela, basta ter sentimentos. lINDO, LINDO.