Interior
O mato, a mata
Cachoeira
Pula você
Agora eu
E de novo
Roupa molhada
Molhando a mata
Garupa de moto
Padaria fechada
E era a vida
Pacata, parada
E na capital
Fumaça
Ônibus que vem,
Carro que vai
E a aula
Cerveja barata
E fumaça
Dia que vira noite
Água de chuveiro
Ou da rua entupindo bueiro
Veio o avião
Viagem grande
Sem data marcada
O idioma
O medo
O nada
O cinza
O gelo
Cerveja gelada
E era a vida
Caminho
Caminhada
O corpo na grama
Sem roupa
Sem nada
E a água
De lago
Não cachoeira
E a água
De lago
Não do chuveiro
E a água
Sem graça
Não de bueiro
Saudade de casa
E era a vida
Cinco anos
Saudade da água
Seis anos
E era a vida
Pula você
Depois vou eu
Saudade de nada
E era a vida
E o avião
E o coração
E a chegada
E a saudade
E a obrigação
E a cachoeira
E era a vida
Pacata, parada
19 de abr. de 2010
15 de abr. de 2010
O Sol
De manhã tem o sol
No morro
No barco
O anzol
Há areia para o mar
E a criança a nadar
O milho
O velho
O zinco
O cachorro
Que corre
O sol da manhã
Doura o pêlo
Queima a pele
O asfalto
Esquenta
A manhã
Pedra solta
A calçada
O pai e a filha
Mãos dadas
O homem e a mulher
Dedos entrelaçados
Nuca suada
O sol
Atrás do morro
Morre
Amanhã tem sol
De manhã
No barco
No bar
O sol
7 de abr. de 2010
Sentidos
Eu enxergo no escuro
Porque a luz está nos meus olhos.
Quando eu não vejo,
Não vejo porque não quero,
Pois enxergar está no meu sangue.
Se minha vista embaça,
Não demoro em fechar os olhos,
Reabri-los, lubrificá-los
E passo a ver de novo.
Se minha luz falha,
Eu sigo no tato,
Porque minhas mãos podem ver;
Quem manda no meu sentido é minha alma.
Eu sinto pelo calor, pela fibra
Eu posso sentir pela cor do sentido,
Pela pele, com ou seu pêlo
Pelo rosto, pelo toque na cara.
Se me perco do tato
Sigo no cheiro
Todos os aromas são conhecidos
Fumaças, velas, ventos
Cheiro de lembranças é sempre um cheiro
Se o faro falha
Ganho no som
Percebo o batuque
O barulho me envolve
Ecoa no peito, se espalha na boca
Se ordena na fala
Sente o som, o tom, o dom
Ouve, repara
Se o mundo ensurdece
Eu sinto sabores
O gosto de lembrar o som
O cheiro que me tem o ontem
O calor que me vem de dentro
A visão que me adoça e me acalma
Eu tenho meus sentidos
Eu sinto meus sentidos
Eu sigo meus sentidos
Porque a luz está nos meus olhos.
Quando eu não vejo,
Não vejo porque não quero,
Pois enxergar está no meu sangue.
Se minha vista embaça,
Não demoro em fechar os olhos,
Reabri-los, lubrificá-los
E passo a ver de novo.
Se minha luz falha,
Eu sigo no tato,
Porque minhas mãos podem ver;
Quem manda no meu sentido é minha alma.
Eu sinto pelo calor, pela fibra
Eu posso sentir pela cor do sentido,
Pela pele, com ou seu pêlo
Pelo rosto, pelo toque na cara.
Se me perco do tato
Sigo no cheiro
Todos os aromas são conhecidos
Fumaças, velas, ventos
Cheiro de lembranças é sempre um cheiro
Se o faro falha
Ganho no som
Percebo o batuque
O barulho me envolve
Ecoa no peito, se espalha na boca
Se ordena na fala
Sente o som, o tom, o dom
Ouve, repara
Se o mundo ensurdece
Eu sinto sabores
O gosto de lembrar o som
O cheiro que me tem o ontem
O calor que me vem de dentro
A visão que me adoça e me acalma
Eu tenho meus sentidos
Eu sinto meus sentidos
Eu sigo meus sentidos
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