Eu enxergo no escuro
Porque a luz está nos meus olhos.
Quando eu não vejo,
Não vejo porque não quero,
Pois enxergar está no meu sangue.
Se minha vista embaça,
Não demoro em fechar os olhos,
Reabri-los, lubrificá-los
E passo a ver de novo.
Se minha luz falha,
Eu sigo no tato,
Porque minhas mãos podem ver;
Quem manda no meu sentido é minha alma.
Eu sinto pelo calor, pela fibra
Eu posso sentir pela cor do sentido,
Pela pele, com ou seu pêlo
Pelo rosto, pelo toque na cara.
Se me perco do tato
Sigo no cheiro
Todos os aromas são conhecidos
Fumaças, velas, ventos
Cheiro de lembranças é sempre um cheiro
Se o faro falha
Ganho no som
Percebo o batuque
O barulho me envolve
Ecoa no peito, se espalha na boca
Se ordena na fala
Sente o som, o tom, o dom
Ouve, repara
Se o mundo ensurdece
Eu sinto sabores
O gosto de lembrar o som
O cheiro que me tem o ontem
O calor que me vem de dentro
A visão que me adoça e me acalma
Eu tenho meus sentidos
Eu sinto meus sentidos
Eu sigo meus sentidos
6 comentários:
Acho que agora eu entendi porque eu sempre ganho tanto no som.
Gostei desse, é muito belo. Me tocou. Sabe como é, tô sensível. Aí minha malandragem some e eu viro menininha. Tô um cú de boi. Mas pelo menos um cú bonitinho vai? Não? Errei?
Já escrevi muito, né? Droga, tá, entendi.
Já vou indo então. Até mais ver.
Lindo. Delicado. Poético.
Valeu muito a corridinha até aqui pra ver.
=0)
Rê, animallllll
hahahah
mto bom!!!
bjo
(...) É como olhar no espelho... mas em vez do reflexo, vejo palavras (...)
"Ecoa no peito, se espalha na boca
Se ordena na fala
Sente o som, o tom, o dom
Ouve, repara"
Alguém chama o Amarante pra cantar isso, por favor?
Obrigado.
Eu demoro tanto pra vir aqui que sempre me dou mal nos comentários.
Sempre falam o que eu queria falar.
Quer dizer, usam as palavras, ne. Pq o sentimento causado por essas leituras, só eu sei qual é.
E são bons, os melhores, aliás.
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