19 de abr. de 2010

E era a vida

Interior
O mato, a mata
Cachoeira
Pula você
Agora eu
E de novo
Roupa molhada
Molhando a mata
Garupa de moto
Padaria fechada
E era a vida
Pacata, parada
E na capital
Fumaça
Ônibus que vem,
Carro que vai
E a aula
Cerveja barata
E fumaça
Dia que vira noite
Água de chuveiro
Ou da rua entupindo bueiro
Veio o avião
Viagem grande
Sem data marcada
O idioma
O medo
O nada
O cinza
O gelo
Cerveja gelada
E era a vida
Caminho
Caminhada
O corpo na grama
Sem roupa
Sem nada
E a água
De lago
Não cachoeira
E a água
De lago
Não do chuveiro
E a água
Sem graça
Não de bueiro
Saudade de casa
E era a vida
Cinco anos
Saudade da água
Seis anos
E era a vida
Pula você
Depois vou eu
Saudade de nada
E era a vida
E o avião
E o coração
E a chegada
E a saudade
E a obrigação
E a cachoeira
E era a vida
Pacata, parada

3 comentários:

André Finhana disse...

Poucas palavras, muitas frases, uma linda história.
Simples, como são as coisas lindas.

Anônimo disse...

tem as águas de março de tom
e as de abril da Renata.
renata há horas que ora
implora e a chuva não pára
renata não entende coisas do céu
na sua casa.

lika! disse...

Não tinha visto esse texto ainda! Como assim? Texto que na verdade é poema! Lindo poema!
Que lindo, neguin!

Adorei entrar a toa e de surpresa ler essa coisa linda! :)

Beijo!