6 de out. de 2009

Uma carta pra você

Se eu fosse te escrever uma carta, seria pra dizer o quanto gosto de você. Falaria sobre seu sorriso, seu jeitinho, seu carinho e seu humor. Sobre seu beijo, seu abraço, seu colo e principalmente seu olhar que me diz tanto. Sua dificuldade com palavras, seu jeito de dizer sem jeito coisas bonitas que fazem ‘aquele dia’ ter valido a pena.

Se eu resolvesse escrever uma carta, seria para falar tudo que me irrita em você. Para reclamar do seu descaso, da sua ausência e mais que tudo, desse espaço físico e temporal que você provoca entre nós. Do seu jeito sem jeito de dizer poucas coisas que procuram justificar seus atos (ou falta deles) e que me convencem, mas que não acarretam nenhum tipo de sustentação. São apenas palavras.

Se eu realmente te escrevesse uma carta, seria para te mostrar que pode ficar tudo bem. Que o que passou, está perdido no passado e guardado nas lembranças. Que muitos momentos, felizes e não, fizeram parte das nossas vidas e nos transformaram no que somos, mas não estão fazendo parte do nosso presente. Que a vida está aí pra ser vivida e não temida. Que sempre chega a hora de mudar, e principalmente, de arriscar. Que medos existem para serem enfrentados. E que cada fase de nossa vida é singular e traz diversas surpresas e novas lições.

Se eu pudesse escrever uma carta, assumiria meu cansaço. Meu desgaste. Minha decepção. Minha fraqueza. Contaria sobre como nada parecia ser por acaso. Mas de repente, muito tempo se passou, e nada mudou. Algumas coisas se repetiram. Muitas vezes acreditei que pudesse ser diferente, mas como eu disse: nada mudou. Falaria sobre o quanto você me frustra a todo momento.

Se eu quisesse escrever essa carta, eu tentaria explicar o porque de tanta teimosia. O motivo pelo qual você não sai da minha cabeça. Talvez eu me confundisse no decorrer dela e escrevesse a carta para mim mesma. Tentando me convencer a não desistir, sem mesmo saber o por quê. Talvez eu percebesse que não existem motivos para insistir, e descobrisse que é melhor pra mim deixar isso tudo de lado e admitir que não era o que eu pensava. Eu estive errada esse tempo todo.
Talvez eu invertesse tudo e tentasse te convencer que você quer tanto quanto eu.

Se eu fosse te escrever uma carta, eu não saberia por onde começar. Nem exatamente o que dizer.
Por isso nunca levei a sério a idéia de te escrever.

04/2008

2 comentários:

André Finhana disse...

Que bom que reclamei por um texto novo. Valeu a pena reivindicar.
E que pena que vc não escreveu essa carta, seria a carta mais humana e mais sincera qu alguém já pudesse ter escrito. Vale ressaltar uma coisa: Uma pena pra quem não recebeu essa carta, pois seria um agraciado por receber tudo isso exclusivamente.
Não pare, senão eu grito mais com você.

Renata Ribeiro disse...

Se for pra demorar tanto e quando vier postar, postar algo assim, fique quanto tempo quiser sem escrever, nega!

Lá atrás quando li isso já tinha constatado o óbvio: é a melhor não-carta ever!

Foda, foda.