14 de set. de 2009

O caso da tampa da privada

Depois de 6 anos de namoro, 4 de casamento e o filho de 1 ano, eles vão se separar. Foi por isso que ligaram para o Dr. Arantes, um advogado especialista em separação. O motivo? Ela não suporta mais ver a tampa da privada levantada.

O Dr. Arantes já tinha trabalhado em casos bem bizarros. De separações nervosas. De mulheres histéricas à margem da loucura. De maridos cachorros à cavalos. Mas até agora, nunca tinha pego um caso como esse.

Na primeira reunião com o casal, o Dr. Arantes questionou o motivo da separação e ouviu da esposa, entre muitas coisas, o caso da privada. Ela dizia, com sangue nos olhos, que chegar ao banheiro e ver aquela privada à vista, destampada toda vez, era demais! Ele revirava os olhos. O Doutor queria rir, mas a sua imbatível ética não o permitia.

Pela conversa, parece que a privada fora o estopim, a gota d'água, a faísca que acendeu o trilho de pólvora. Mas antes disso teve o problema da porta do armário da cozinha. Não tinha quem fizesse aquele homem pegar um copo pra beber água no meio da noite e depois fechar a porta do armário. E colocar o copo dentro da pia depois era pedir demais! E ela nem se deu o trabalho de explicar muito aquele caso do sabonete com pêlos, só comentou assim, de passagem. Afinal, bastou um xilique para ele nunca mais fazer isso. Um não, foram dois, mas ela só lembrou do primeiro. A primeira vez a gente nunca esquece...

Enquanto ela destrinchava toda sua ira conjugal, ele ouvia calado, de braços cruzados e dentes cerrados. E o Doutor de cara pálida, só esperando o momento do sacrifício final. Parecia que nada poderia piorar. Mas ele estava errado: nada está tão ruim que não possa piorar!

Após 38 minutos cravados da melhor consulta que o Dr. Arantes já havia feito em toda sua carreira como advogado, temeu por sua vida e pela memória de seus antepassados, mas perguntou:
- Senhora, são ESSES os motivos que a levam querer separar-se de seu marido?

Se arrependeu pela enfase dada ao "esses" e antes que ela pudesse balançar a cabeça como quem diz sim em caixa alta, seu ainda-marido entonou:
- Doutor, esses são os motivos dela. São vários, como o senhor pode ouvir. Mas acho que tenho o direito de dizer algumas coisas. Gostaria de dizer porque concordo com essa separação, assim encerramos de uma vez essa reunião - e esse casamento.

O Doutor Arantes teve um comichão de curiosidade e, nervoso com a possibilidade da mulher interromper o marido, apressou-o:
- Claro, meu filho. Diga, diga logo.

- Doutor, é simples. Passar algum tempo sentado na privada é mil vezes mais agradável do que sentar do lado dessa mulher no sofá. Eu assisto horas e mais horas de televisão ouvindo seus resmungos. Chego a desejar uma diarréia eterna, só para poder passar mais tempo sozinho, no silêncio que a privada me proporciona. É nessas horas que esqueço de abaixar a tampa, pois estou sendo feliz e isso me distrai. Abrir a porta do armário da cozinha é infinitamente melhor que abrir a porta do quarto e me deparar com esse bagulho roncando toda noite. Deve ser por isso que a esqueço aberta: é muita emoção! E, por fim, há anos tenho tido mais prazer com os sabonetes na hora do banho do que com ela na hora do sexo.

Um comentário:

Vanessa Nassif disse...

nossa! esse sabonete deve cair bastante no chão...não?


Uau!Um novo estilo de Renata Ribeiro, mas com um traço em comum aos outros: é bom! :)

Evolua nesse estilo...gosto dele.

bjinhos