8 de set. de 2010

Esperto o tempo

Danado esse tempo.
Me distrai em contratempo,
E se põe a acelerar.
Espera tempo!
Anda mais devagar.
Se passa desse jeito,
não consigo acompanhar.
Saudades bandidas.
Arrependimentos incontidos.
Você pode olhar pra trás.
Mas alcançar, jamais.

Se o que já foi não volta mais, almejo esperanças imortais.
Anda tempo, acelera e me faz esquecer.
Muda tudo pela frente antes de eu enlouquecer.
Ora, ponteiro, mata essa curiosidade.
Que caminho me reserva para a tal felicidade?
Corre tempo, acaba com a ânsia e o marasmo.
Traga oportunidades e um tanto de entusiasmo.
Toda a frente é obscura, mas não me assusta a criatura.
Tempo, seu safado. Agora que tenho pressa, você passa é arrastado.

Diante de toda essa bagunça agora,
percebo que sou eu quem me sabota toda hora.
Culpá-lo é uma bobagem. Ele não faria tanta sacanagem.
Se é amigo ou inimigo, só depende do que trago comigo.
Esperto o tal do tempo.
Vive a tiquetaquear, enquanto eu é quem faço plantar.
O que passou me ensinou e me fez quem eu sou.
O que vou colher? Quando vou morrer? O que vai acontecer?
...Não me tire o foco! O agora é só viver.

4 comentários:

Renata Ribeiro disse...

Curti!!! Muito!

(Só trocaria o tic-taquear por tiquetaquear)

Vanessa Nassif disse...

sugestão aceita! ;)

Rafael Souza disse...

Eita drama da Geração Y!

A nossa briga eterna com o tempo!

André Finhana disse...

Eu achei foda. E me atrevo a dizer que é o meu preferido entre tudo o que já escreveu. É feliz, otimista, engraçado. A leitura tem um tom extremamente agradável, um ritmo muito gostoso. Enfim, adorei mesmo mesmo e mesmo.