26 de nov. de 2008

Sobre um circo sem futuro

Tenho um troço no estômago até hoje, só de pensar, de lembrar de você.

Lembro a primeira vez que estivemos juntos, a centímetros de distância. Me senti com 12 anos novamente. Sintonia incomum, porém normal.
E por mais que eu adore minhas lembranças, sou apaixonada pelo viver. É dele que lembro quando penso em você. Você me trouxe uma vida nova. Me abriu uma porta para o inesperado e isso me transformou, me redescobriu.

Você foi como a fase mais difícil daquele jogo de videogame, sabe? Junto de você, vieram coisas que eu nem imaginava que existiam, mas que estiveram sempre ali. E apesar de difícil, você foi a fase mais gostosa de passar. E eu queria poder voltar a fase anterior só pra ter o gostinho de passar de novo por você.

Metáforas à parte, você tirou meu sono, minha tranqüilidade, meu conforto, minha rotina. Graças a você, soube não ter nada disso. E digo: não sinto a menor falta de ter tudo isso o tempo todo.

Isso tudo em 3 meses. Você tem efeitos prolongados sobre mim. E eu não teria como saber isso antes, adivinhar tudo a tempo. Foi pagar pra ver. Ver pra crer.
E não lamento. Só queria poder, eventualmente, comemorar, brindar, agradecer, reviver.

Mais do que impor, a vida sugere atitudes. Para alguém como eu, se abster não é uma opção. Posso perder, mas sei que tive de abrir mão, soltar a corda. Ou seja, tive que agir, mesmo que isso significasse não fazer nada.

Sempre digo que não gosto de esportes. Competir não é meu forte. Não compito mesmo. Não tiro braço de ferro entre meus sentimentos e minhas vontades. Aqui é tudo na base do diálogo, debate. Sou dona das palavras que falo, das atitudes que tomo, dos olhares que distribuo.

Quando me dei pra você e te aceitei a mim, foi consciente. E é uma consciência que confesso: não foi suficiente. Precipitei por você, mas principalmente por mim. Choveu na minha horta logo depois de uma tempestade.

Cobri o circo. A lona era grande e pesada, mas cobri sozinha. E o que me parece agora é que esse circo volta à sua itinerância. Eventualmente passarei onde você está. Se quiser ver, é só entrar. Não cobro pelo ingresso, nem pela satisfação. O meu negócio é o espetáculo. E pra isso, platéia é necessária, a entrada é gratuita e a presença bem-vinda.



* Obrigada ao Cordel do Fogo Encantado pela inspiração do título.
** "Eu" e "você" são personagens nessa história. A ausência de nomes é proposital e desejada.

3 comentários:

Ronas disse...

É.

O show tem que continuar.

Um tom totalmente novo na sua escrita.

Saiu uma canção de alta qualidade.

Não vou te dar parabéns.

Mas que você quebrou a perna quebrou.

Vanessa Nassif disse...

Se houve algum pingo de inspiração por minha parte, devo dizer q me sinto orgulhosa.

Já falei sobre o texto e sobre td o mais ontem com vc. Hj vou me limitar a dizer que vc surpreendeu com sua sinceridade translúcida.

Amo a inquietude da sua mente. Não sempre...mas quase.

bjos

Anônimo disse...

E o palhaço o que que é?

Bem legal re, miuto bom!Parabens...