Carlos tinha AIDS e morreu ontem. É assim que começa sua história: com um fim.
O fim da vida de Carlos chegou cedo. Ele estava com 31 anos, tinha tido uma das maiores dádivas da sua vida há 1 ano: um filho.
Ele não foi proveniente de um amor arrebatador, muito menos de uma transa espetacular. Ele veio meio sem querer, mas foi bem-vindo. Ao menos veio de um relacionamento sadio. Sadio em partes.
A ex-namorada de Carlos era bacana, gente fina, o namoro era bom. Bom, mas não fez bem. Foi através dessa namorada que Carlos foi infectado com o vírus HIV. Ele só soube disso há uns meses atrás, quando ela morreu de AIDS. Carlos não tinha tido muitas mulheres antes dela. Quando começou a namorar com ela, pensou: “Isso sim é viver!”. Pobre e errado Carlos.
Bem, hoje nada disso importa. Ela está morta, Carlos está morto e o filho deles vivo. E mais do que estar vivo, o que realmente importa é que hoje ele não tem AIDS, mas amanhã não se sabe. O vírus pode estar escondido atrás daquela pele macia e branquinha, daquela mãozinha pequena e cheia de furinhos.
Mais que sentir a dor da perda de seus pais, dói pensar que com um exame o filho de Carlos poderia, um dia, aprender a dizer ‘mamãe’ e ‘papai’.
Um comentário:
Triste.
Nem sei o que dizer.
Parabéns cabe aqui?
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