Agora que já passou o carnaval posso colocar em prática minhas promessas de ano novo que nem sequer fiz.
Não foi preciso prometer nada à mim mesma – já sei que não vou cumprir. E já me basta tanta decepção alheia, não é preciso aceitar a decepção de mim.
Não prometi que comeria verduras em 2010, mas já comecei com isso e me confesso orgulhosa de tal feito.
Prometi ser mais sincera comigo mesma, ainda que bem antes do ano novo, mas isso não vou conseguir cumprir. Sinto ter alcançado o nível máximo de autosinceridade: não há nada que eu não saiba sobre eu mesma.
Tentei me forçar a me prometer menos impulsividade, mas sem isso me tornaria apática, cinzenta, paciente de mim mesma no meu sanatório particular. Desisti. Sou teimosa e preguiçosa demais para me convencer de uma coisa como essa.
Mas apesar de manter a impulsividade, vou abrir mão de algumas irresponsabilidades. Não foi necessário pular ondas, tampouco fazer promessas aos santos, orixás e à minha mãe, santa mãe. Essa abdicação vai na conta da maturidade. E passa a régua!
É, “começo” o ano sem nenhuma promessa. Mas que bobagem! Pela data de hoje, o ano já começou há mais de um mês e meio!
Vai ver o ano passado nunca terminou.
Vai ver eu fiz promessas, não anotei e as esqueci.
Vai ver eu já cumpri todas que me prometi.
Vai ver eu prometi nunca as cumprir.
Vai ver a banda passou, cantando coisas de amor.
Um comentário:
Que delícia ler isso.
E como me apoderei das suas palavras, só não me peça pra devolvê-las, por favor.
Sou fã.
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