23 de mar. de 2009

Canis Amare

Tão pequena, tão frágil. A idade avançada não a fez perder a juventude que transborda a cada pulo, corridinha ou abanada no rabo.

Hoje cheguei em casa e nenhum sinal de você. Nem um cheiro, nem uma alegria, nem um esboço. Imóvel, presa na mesma posição há horas, ela mantém um olhar distante, porém não frio. Olhando fixamente para o nada, nada diz nem parece dizer.

Vi tua respiração forte por cima da coberta. Agachei, sentei, preparei os dedos e comecei. É tudo que posso te dar, já que não bebe, não come, não chora, não dorme.

Enquanto faço um cafuné, lembro do quanto te quis quando era pequena. Chorei, fiz greve de fome, fiz minha irmã, então com 2 anos, implorar junto comigo. Ela aprendeu várias palavras novas durante meses e repetia tudo na mesma intensidade que eu.

Chorei quando te quis, choro com medo de viver sem você. Pode parecer bobagem, mas você é a alegria mais sincera que eu já conheci e a idéia de viver na lembrança me chateia um pouco; é uma mudança que não gostaria de ter na minha rotina.

Das coisas mais óbvias, meu afeto por você é o maior. Aqui todos te amam, mas eu te olho e vejo o que nem todos veem: a melhor amiga que tenho.

6 comentários:

Vanessa Nassif disse...

E tomara que seja tudo isso só um susto.
Quero desejar, acreditar e te convencer que isso vai passar. Que não é nada q não se possa curar.
Mas eu não tenho essa certeza, da mesma forma que você tb não, e ngm mais pode ter.
Então a gente torce. Pra ela ficar bem e vc tb!

Bjoss

Anônimo disse...

Muito bonito.

Nem sei o que falar.

É muito triste também.

Anônimo disse...

Bonito e triste na mesma intensidade. Aliás, qual o segredo pra escrever com tanta intensidade?

Beijo, Rê.

André Finhana disse...

Eu sempre fiz comentários recheados(ao menos na intenção) de palavras de efeito e frescura.
Dessa vez vou falar com o coração.
Há 3 meses sofri algo parecido e hoje sofro por nem isso mais passar.
Aquele olhar distante, meu cafuné acalentador, aquela ausência de choro, meu beijo paternal, o prato de ração sempre cheio e meu conformismo diante da realidade.
Foram 15 anos de felicidade e muito amor. Hoje contrario qualquer doutrina que reza que os cães não têm alma.
Pra mim, ela está no céu, abanando o rabinho, pulando e latindo de felicidade quando meu carro desponta no portão.
É o amor mais gratuito que já recebi.
Saiba disso, ela está melhor do que você acha.
Rezarei daqui pela melhora dela, afinal, é absolutamente inaceitável dizerem que um ser capaz de exalar tanto amor, não tenha alma. Eles têm sim, com toda a certeza, e ainda vou mais longe: Eles têm alma de anjo.
Que sua anjinha tenha o destino que ela merece.
Fique bem. Saiba que esse texto me trouxe lágrimas aos olhos.

Unknown disse...

do mesmo tamanho do amor deles pela gente, deveria ser o quanto tempo eles poderiam estar ao nosso lado. lindo texto. beijos.

lika disse...

meu, tô chorando deveras.